RicardoC
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
MELANCOLIA
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
LUMINOSA
LUMINOSA
Quando por lá passares, não te apresses.
Contempla, como um quadro em movimento,
A imensidão aberta ao firmamento,
Que se ilumina enfim às tuas preces.
No pó, deixa os cuidados e os estresses,
Enquanto mira os longes contra o vento.
E encontra, para além do entendimento,
Este momento livre de interesses.
Deixa que a caminhada t'esvazie
E o sol, amanhecendo, principie
A pôr cores por toda a redondeza.
Mas, ao te despedires, não lamentes.
Antes leva contigo aos teus, ausentes,
Uma terna experiência da beleza
Campos do Jordão - 02 09 2025
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
MORDAÇA
MORDAÇA
A medo d'eu falar, têm me calado
Aqueles que desgostam do que penso:
Logo vêm me acusar de contrassenso,
Para no fim passar por transtornado…
Acostumei-me a estar do lado errado,
E agora vivo dias em suspenso.
Mordaça que, afinal, me pesa imenso,
Visto que em tudo sou invalidado.
Querem, a todo custo, que me cale
Ou que já não s’escute quanto eu fale,
Vencendo-me por força, não razão.
Debalde… Não se cala uma verdade!
Mesmo eu silenciado, a realidade
Irá sempre se impor, queiram ou não.
Betim - 24 10 2025
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
ARAUTO
ARAUTO
Nunca faltar com a franqueza,
Eis do desditoso a desdita…
Quem traz verdades, traz tristeza
E sempre mais só se acredita.
Quem traz verdades se aflita...
No fim, toda a gente o despreza.
Eis do desditoso a desdita:
Nunca faltar com a franqueza!
Quem traz verdades se aveza
A manter uma aura maldita
Em face d’alheia tibieza…
Eis do desditoso a desdita:
Nunca faltar com a franqueza!
Betim - 24 11 2025
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
TERCEIRA PONTE
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
A CASA DO MEU AMOR
A CASA DO MEU AMOR
Bananeiras no quintal,
Jabuticabeira em flor…
No jardim, um roseiral:
A casa do meu amor.
Uma porta e uma janela
Sempre abertas, sem pudor.
Ecoa ais de minha bela
A casa de meu amor.
Duas águas e varanda,
D'onde mira o sol se pôr.
N'alta serra, feliz se anda
À casa do meu amor.
Uma vida retirada
Onde a tarde tem sabor
De quitandas com coalhada!…
Em casa do meu amor.
Na cozinha, seu café
Fumegante de vapor…
Se tudo ali mais doce é,
Na casa do meu amor.
Sua alcova, por dossel,
Cortinado furta-cor…
Uma estrada para o céu
A casa do meu amor.
A sonhar entre lençóis,
Se lembre do meu calor:
Um sorriso de mil sóis
Na casa do meu amor!
Passo em frente, para vê-la,
– Tantas vezes? Quantas for! –
Namoradeira… À janela
Da casa do meu amor.
Lá, não se nota estranheza...
Não se rima amor com dor.
Não se fala de tristeza,
Na casa do meu amor.
Mas, se eu lhe faltar em vir,
Venham a ela em meu favor
Tais versos, por lhe sorrir,
À casa do meu amor.
Betim - 20 10 2010
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
CAIXA DE FÓSFOROS
CAIXA DE FÓSFOROS
Não raro, escrever poesia
é como tentar manter acesso um fósforo
na escuridão.
Betim - 27 10 2025