sábado, 28 de março de 2026

VAREJEIRA

VAREJEIRA

Como quem s’entretém a espantar mosca

De sonhos na vitrina d’uma venda,

E vive em estranhíssima contenda,

Ciumento dos confeitos sobre a rosca…


Assim, eu só — nos fundos da birosca! —

Salivava às quitandas da merenda,

Sonhando para mim alguma senda

Para além d'esta vida um tanto tosca.


Era mais uma tarde. Mais um dia.

A mosca que ia e vinha, todavia,

Despertava-me do baldo devaneio.


E eu, que não sei vender nem guloseimas,

Passava horas às voltas com toleimas,

Vendo a mosca nos sonhos sem receio. 


Betim - 04 12 2025


segunda-feira, 16 de março de 2026

A MEU VER

A MEU VER


Já desconheço haver outras razões 

Além das segregadas em meu peito

Para dizer, embora contrafeito,

De tantas e totais contradições.


A despeito das doutas opiniões, 

Sobretudo d’aqueles que respeito,

Externo desventuras em proveito

Do improvável leitor d’estes senões:


Há erros que se tornam toda a vida

E bem ou mal nos moldam, à medida

Que deixamos pegadas sobre a terra.


Andemos, sem temer a tempestade!

Desertas são as ruas da cidade,

Quando da face o riso se desterra…


Betim - 11 11 2025