sábado, 30 de maio de 2026

EM BOA HORA

EM BOA HORA


Quando vieres, se vieres, será bom.

Serás bem-vinda, linda; estarás bem…

Virás porque me queres ver também 

E partilhar teu riso como um dom.


Se me ouves de teu nome o doce som,

É porque te chamei, constante e além,

Ao encontro de alegrias sem porém,

Dando mais cor à vida, tom por tom.


À hora que vieres, seja qual for,

Terei em minhas mãos alguma flor

E um pão para partir na travessia.


Assim, contigo ao lado, mão à mão,

Toda a hora será boa. Por que não?

Em boa hora se em boa companhia!


Nova Lima - 30 05 2026


sexta-feira, 22 de maio de 2026

INCONCLUSIVO

INCONCLUSIVO


Eu nunca saberei se sei ou não

Que mentiras eu conto para mim.

De facto, inconsciências são assim:

Tergiversar em círculos e em vão…


O que sei é ser tudo uma ilusão.

Ao menos considero — agora e enfim — 

Saltar para o vazio a trampolim,

Sem chegar a nenhuma conclusão.


O mundo há-de seguir indiferente

A toda e qualquer fúria complacente

Do que costumo ver como vitórias.


Ao fim, tão-só silêncio e desassombro.

Não restam senão pó, ruína e escombro

No terreno maninho das memórias.


Brumadinho - 16 05 2026

sexta-feira, 8 de maio de 2026

MERCADORIA

MERCADORIA 


Vende-se, por uns módicos trocados, 

Outro livro de sonetos pós-modernos.

Reunido a modestíssimos cadernos,

Contém antes equívocos que achados.


O poeta? Consta que anda sem cuidados,

A cogitar de céus como de infernos.

Às voltas co'os próprios desgovernos,

Palmeia a escuridão dos deserdados!


Mal vale quanto pesa esta leitura,

Que não julgo Arte nem Literatura:

Não tem fortuna crítica, prefácio…


Mas, se não for incômodo, comprai-o. 

Ao menos sobre a mesa, de soslaio,

O tomo pode ornar vosso palácio.


Betim - 01 05 2026