EM PERSPECTIVA
Pelos olhos em fuga, o pensamento
Também me parecera fugidio…
Era um olhar perdido, algo arredio,
Visto, senão de angústia, de lamento.
Pondo em ponto de fuga o firmamento,
As linhas convergiam no vazio
Enquanto o entardecer veste sombrio
Um contorno de serras poeirento.
Porém, na cidade em perspectiva,
Tinhas do mundo o livro não escrito
À espera d’outra aurora rediviva.
Por fim, não era feio nem bonito
Quanto vias sem ver, meio à deriva,
Co'os olhos a fugir para o infinito.
Belo Horizonte - 05 05 1992