CERTOS ERROS
Dos donos da verdade mais me alerto,
Ainda que do bem m’entenda membro.
De tanto errar em mim já não me lembro,
Vagando feito um monge no deserto.
Embora da verdade esteja incerto,
Eu, em face do mal, o bem relembro:
Um pobre sob as chuvas de dezembro,
Sempre a tomar o errado como certo…
Desisti de tentar eu defini-los,
Ao ver errado certo e certo errado,
Ao longo de meus dias intranquilos.
Já quase se confundem, lado a lado.
Sem qualquer verdade a dividi-los,
Nos reste a consciência do passado.
Belo Horizonte - 24 12 1991