III – inutilia truncat
para Cláudio Manuel da Costa, o Glauceste Satúrnio
Quem, hermeticamente, faz poesia?
Cultos imitadores já sem vida...
Busque-se o novo como uma saída
E cortar os excessos que cabia.
Quem, hermeticamente, se angustia?
Por conceitos confunde-se a caída:
Se a pérola barroca é extraída,
A concha rococó resta vazia.
Quem, hermeticamente, era poético?
Por maior, ou melhor, constante: — “Poetas,
Às inutilidades truncai do ético!”...
Sim, por uma poesia sem muletas!
Concorde ao paradoxo pós-estético:
Em claro-escuro ter aos olhos metas.
* * *