O FORAGIDO
Passados tantos anos, ninguém; nada.
O sangue derramado que o condena
Faz pensar que talvez não haja pena,
Somente uma justiça desvairada.
Mas aquele que caiu teve a jornada
Interrompida sob a noite plena...
Obscura, a vida humana se apequena:
Não mais que uma outra sombra pela estrada!
Vivia ele a fugir do vitimado.
Prescritos tanto o crime que o castigo,
A seus olhos se vê ‘inda culpado.
Já não distingue o amigo do inimigo,
De tudo e todos tão desconfiado,
Quem de si mesmo nunca encontra abrigo.
Belo Horizonte - 12 08 2026