AO PÉ DO OUVIDO
Se eu derramar um verso em teus ouvidos
E, encantada, me olhares com ternura,
Talvez as rimas valham-me a procura,
Na lembrança dos sonhos esquecidos.
Rebuscaria à língua desmedidos
Louvores pela tua formosura…
Para as letras encher de calentura,
Na fé de me sorrires dos pedidos.
Então — somente então — tudo o que sinto
Arrancará da escrita uma grandeza
Capaz de enaltecer tua beleza.
Mesmo um poeta menor — não o desminto —
Ao menos te contar como te vejo
Faça corar teu rosto n’um gracejo.
Belo Horizonte - 12 08 1996