TEMPESTUOSO
De novo o céu desaba sobre mim:
Abri janelas para o vento entrar.
Logo em seguida via panejar,
Às lufadas, cortinas de cetim.
Só, observo a tormenta vir enfim.
Apagaram-se as luzes do solar
No meio de estrondoso trovejar,
Como pressagiasse algo de ruim.
Enquanto isso, o coração entristecido
Se mostrava entre chamas consumido,
Ardendo face à chuva desmedida.
Olhos em febre, olhava para o nada,
Indiferente à noite transtornada,
Em tempestade como a própria vida.
Betim – 02 02 1992