GATAIADA
RicardoC
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
GATAIADA
VEM VER
VEM VER
Belo Horizonte – 09 08 1991
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
ENSEADA
ENSEADA
Valha a vela que leva pelo vale
À velha vila onde vi envilecida,
Nas valas e vielas, a sabida
História dos Irmãos de Carnevale!
Sobre a mais alta penha ainda fale
A gente pressurosa e presumida
D'essa morte do monge em sua ermida
Pelas mãos d'um irmão com o seu xale…
Vale de perdição veleja o frade,
Que evade da vila p’ra cidade
Na ânsia de ocultar sua fúria imunda
Mas ainda a cruzar pela enseada,
Com os olhos perdidos para o nada,
Sumiu-se na maré escura e funda.
Vitória - 05 05 1992
terça-feira, 20 de outubro de 2026
MINGUANTE
MINGUANTE
Míngua a lua no céu. Míngua no chão
O luar que clareia a minha estrada.
Embora seja pouca; quase nada
A luz da meia lua em seu clarão.
À míngua está também meu coração,
Tão mal amado e só na madrugada,
Face àquela minguante mais minguada,
No fim de sua cíclica feição.
Talvez porque imagem d’um amor
Que outro dia surgiu com novo ardor
No céu de minha vida até ser pleno.
Contudo, já sem brilho, se despede.
E esse fio de luz que me concede,
É que agora me guia no sereno.
Belo Horizonte - 31 08 1991
QUERER BEM
QUERER BEM
Quem me dera querer-me o bem-querer!
Quisera esta quimera bem real…
Pois quero o seu querer sem outro igual
A qualquer outro bem que possa haver.
Quer tenha a ganhar; quer tenha a perder,
Pudera como outr’era, tal-e-qual,
De novo ter seu bem que me faz mal,
Porque querendo quase sem querer.
Quem me dera que a mim quisesse bem
A que n’uma hora vai e n’outra vem
Sorrindo com seus olhos furta-cor.
Queira Deus que por fim ela me queira
Até que, por carinho ou por canseira,
De tanto querer bem me tenha amor.
Belo Horizonte - 23 08 1991
LIMÍTROFE
LIMÍTROFE
Belo Horizonte - 26 04 2021
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
CORAÇÃO DOS OUTROS
CORAÇÃO DOS OUTROS
Querem n'uma modinha a solitude
De quem tivesse alguém no coração!
Se é tudo n'essa vida uma ilusão,
Sobretudo para aquele que se ilude...
Alguns chamam d’amor a inquietude
Que me atravessa as letras da canção.
Presumir sentimento fosse opção,
Ninguém hesitaria ante o desnude!
No coração dos outros, a saudade
Traz com triste canção alegre palma
Para em canções sofrer com falsidade
Certos que a dor alheia a própria acalma,
Não julguem se mentira ou se verdade
Tudo o que tem passado por minh’alma.
Betim - 03 03 1992