MEGALATIFUNDIÁRIO “Do nada, nada vem” — Já se dizia D’aquele que contando umas lorotas, Deixava-nos com cara de idiotas Com sua gutural verborragia. Uma muito contumaz patifaria Era ir, co'a complacência dos janotas, Aonde perdeu Judas suas botas, Medir terras griladas na ousadia. Mas, pela minha mal traçada conta, São as terras do fulano de tal monta, Que somam duas vezes o país todo! Sem menoscabo pelos seus azares Ou pela imensidão d’estes lugares, Tal fortuna não passa d’um engodo. Betim - 28 08 2026
RicardoC
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
AYAHUASCA
AYAHUASCA
Tinha gosto de casca de cipó
Aquela comunhão de mirações,
Incorporando antigas devoções
Reunidas nos confins do cafundó.
Eu, com o povo em roda, um homem só
A ver e ouvir estranhas orações
E as cores explodindo em clarões
D’auras alucinando-me sem dó…
Tempo ausente o presente, me abandono.
Enquanto algum profeta no seu trono
Diz sobrenatural a Natureza.
Tinha gosto de mato e de queimadas
Aquela comunhão de camaradas
Feita de borracheira profundeza.
Betim - 05 06 2024
EXPLORAÇÕES
EXPLORAÇÕES
Finda a estrada, que comece a aventura!
Na quebrada da encosta, em precipício,
Para as grimpas a trilha tenha início,
Serpenteando em curvas na angustura.
Do mar de morros via-se a verdura,
Enquanto o vento uivava vão bulício.
Onde quão mais bonito, mais difícil,
Seguir em desafio pela altura.
Na travessia, a cada descoberta,
O peito acelerado e o olhar alerta
Se me tornam mais ávido de vida.
D’ali eu me aproximo da distância,
E trago à solidão ainda a errância
D’outra alvorada plena e comovida.
Brumadinho - 15 08 2026
OFICINA
OFICINA
E tudo o que queria era escrever…
Isto, fazer poesia, é pôr o mundo
Por dentro da cabeça bem mais fundo
Do que, objectivamente, o perceber.
Poetar! Como se um jeito de entender
A realidade em letras no eu profundo.
Ou sondar d'onde o sonho era oriundo
Para, com rimas vãs, enternecer.
Fábrica de poesia, o coração
Bate mais forte quando uma intenção
Revela insuspeitada maravilha.
Assim, vão caminhando lado a lado
Sonoridade mais significado
Onde cada palavra por fim brilha.
08 06 2026
terça-feira, 25 de agosto de 2026
POR AGORA
POR AGORA
Se o presente é ausência, em alheamento
Atravesso horas cinzas tão-somente
A topar com a angústia recorrente
Que vem me anuviar o pensamento.
Mas é o que se tem para o momento,
Esse desassossego displicente
Com que encaro o caminho à minha frente,
Distante de qualquer contentamento.
Ainda entre o que foi e o que será,
Espero uma certeza que não há
De superar o tempo em que estou.
O instante, todavia, se prolonga,
Em vista d'esta fase, curta ou longa,
Que logra rir de tudo quanto sou.
Belo Horizonte - 08 06 2025
BARATINADO
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
SOMBRA E ÁGUA FRESCA
SOMBRA E ÁGUA FRESCA
Na curva do caminho, longe ainda,
Apenas fecho os olhos... Logo o vento
Parece m'envolver por um momento,
Em sua aragem morna-mas-bem-vinda.
A encosta tortuosa, embora linda,
Mostra-se enfim abrigo ao desalento:
Encontra a queda d'água o olhar sedento,
Enquanto n'um bosquejo a trilha finda.
Eu paro, agradecido, e me abandono
Por horas até cair quase no sono;
Só deitado na laje da cascata.
Foi como se, inundado de alegria,
A vida me abraçasse n’esse dia,
Em qu'eu me demorei em meio à mata.
Brumadinho - 15 08 2026