PEDRA DA ILHA
Vitória - 11 10 2026
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
PEDRA DA ILHA
Vitória - 11 10 2026
QUINQUAGÉSIMO
Ano após ano em ordem perfilados,
Os conto hoje cinquenta em minha vida,
Ao longo d’esse tempo, entre guardados,
Das letras empreendi a nobre lida.
Sejam os meus escritos, pois, julgados
Como obras d'uma mente enternecida
Co'a música de rimas e de achados,
Que fazem a poesia mais sentida.
Ou senão, empoeirem nas gavetas,
Junto ao livros de tantos bons poetas
Bem mais doutos e líricos do que eu.
Pois seja como for, eu passarei.
Fiquem tão-só os anos que ganhei
Deixando em cada verso o tempo meu.
Betim - 01 05 2026
ARTISTA DE RUA
O seu palco, um tapete no cimento.
Ao projectar a voz aos transeuntes,
Parado, só o poeta toma apuntes,
Como se espectador do movimento.
Com cinco malabares contra o vento
Exibe-se no afã d’haver ajuntes.
– Já te respondo sem que tu perguntes:
Não tinha nada além d’esse portento…
Vestido como tal, o saltimbanco
Apregoa um patuá cheio de axé,
A todo e qualquer tranco ou solavanco.
Dizendo contra o mal feito com fé,
Curava do cegueta até o manco
E o povo em volta a ver jurando que é…
Belo Horizonte - 28 10 2026
Belo Horizonte - 10 06 1996
CHE PECCATO…
Que fizemos, amada, em nossas vidas,
Que, perdidas, se vão já sem sentido?
Que pode ter ao amor acontecido,
Que luzes quase em sombras convertidas?
Que mal se nos abriu tantas feridas,
Que nós há tanto temos padecido?
Que tornou o peito em dor tão consumido,
Que o sentimento expôs a mágoas idas?
Que ânsia nos perde o amor, se era-nos tudo?
Que nos encontra e após me deixa mudo?
Que nos separa mesmo enamorados?
Que que nos salvará o amor doente?
Que que permitirá mais claramente,
Que não me olhes nos olhos só pecados?
Betim – 12 12 1996
LÍRICA
Quisera versos tão bons quanto a musa,
Que com doces carinhos m’os inspira.
Já não me há notas pela rude lira,
Senão loas a si, e ela as recusa...
Aura que a melodia faz difusa
E onde a poesia em música delira!
Versos e notas… Eis quanto pedira
Quem minha dura pena não escusa:
Embora grande amor, falta talento.
Pois, desde a rude lira à dura pena,
Toda canção lhe soa vão lamento.
Fizera versos tão sós quanto o poeta…
Se em suspiros a rima se apequena
Logo a musa, queixosa, se inquieta!
Belo Horizonte - 10 10 1996
TEMPO E DINHEIRO
A hora não passa mais rapidamente Por marcar no relógio os seus ponteiros… Acompanhar-lhe as voltas faz dinheiros, Não o instante vivido mais contente.
Devo lembrar que vivo no presente,
Ao invés de me apressar nos costumeiros
Dias para alcançar os prazenteiros,
Comprados sob o sol mais inclemente.
Eu penso que estou onde devo estar
E fazendo quanto há-que se fazer.
O mais são ânsias vãs já sem lugar.
Se corro é pelo vento: Ao bel-prazer
De ter-me em movimento e me achegar
Aonde quer que o encanto possa ser.
Brumadinho - 31 10 2026