quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

À BOCA MIÚDA

À BOCA MIÚDA


Correm por aí boatos de que andei

Buscando solidões silenciosas

Em distâncias de serras neblinosas,

Onde viva sem fé nem rei nem lei.


Têm contado, outrossim, que desgostei

Das gentes e das terras rumorosas

A ponto d’eu dizê-las desditosas

Às raras companhias que encontrei.


Falem o que quiserem: Sigo andando

A surpreender auroras, vez em quando,

Sem ver que vão pensar a meu respeito.


Convém-me confirmar os maus cochichos:

Tornado besta-fera em meio aos bichos,

Seja eu livre do juízo mais perfeito!


Catas Altas - 02 11 2025


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