segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

NÃO HÁ-DE QUÊ

NÃO HÁ-DE QUÊ

Nem tanto o dia; nem tanto a hora, eu penso…
Os anos se passaram sem que a cura
À nossa insofismável amargura
Conciliasse contrários n’algo imenso.

Ainda aos pés da deusa ardia incenso,
Onde ex-votos d'amor fazem figura.
Convém fazer da perda outra procura,
Enquanto das memórias me convenço.

A dúvida permanece, todavia.
Vênus rirá, mais dia menos dia,
Em nossos corações quase outonais.

Até lá, haja luar na madrugada
A clarear o trilho incerto d'esta estrada,
Que segue em frente p'ra longe demais.

Belo Horizonte - 21 11 2025




Nenhum comentário:

Postar um comentário