ATRÁS DAS GRADES
— “Prendi o mundo todo atrás das grades!…”
— Dizia, embriagado, na varanda.
Eu contra todo mundo pus demanda,
Privando-lhes de suas liberdades.
Afinal, observei duas cidades:
A de quem é mandado; a de quem manda.
Lá, cada um por si nas ruas anda,
Prisioneiro das próprias inverdades.
Antes de qualquer coisa, não consinto
Co’as misérias que via do outro lado,
Tampouco co’a ilusão de ser distinto.
Embora na varanda embriagado,
Eu vigio a cidade em labirinto:
— “Eis o mundo por mim aprisionado...!”
Belo Horizonte – 20 11 1991
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