sábado, 28 de março de 2026

VAREJEIRA

VAREJEIRA

Como quem s’entretém a espantar mosca

De sonhos na vitrina d’uma venda,

E vive em estranhíssima contenda,

Ciumento dos confeitos sobre a rosca…


Assim, eu só — nos fundos da birosca! —

Salivava às quitandas da merenda,

Sonhando para mim alguma senda

Para além d'esta vida um tanto tosca.


Era mais uma tarde. Mais um dia.

A mosca que ia e vinha, todavia,

Despertava-me do baldo devaneio.


E eu, que não sei vender nem guloseimas,

Passava horas às voltas com toleimas,

Vendo a mosca nos sonhos sem receio. 


Betim - 04 12 2025


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