sexta-feira, 2 de outubro de 2026

GUARDA CORPOS

GUARDA CORPOS


Se das alturas formos cair d'amores,
Como dois corpos beira ao precipício,
Volvamos ao terraço do edifício,
Quando o poente suspira seus primores.

Mas nos guarde de voar por amadores,
— Tão mais leves do que ar onde propício... —
Os limites do chão, cujo artifício
Nos proíbe os desvãos dos arredores.

Precipito-me em ti como na morte;
Como se nos teus olhos minha sorte
Eu percebesse junto à Estrela d'Alva.

Ali, guarda teu corpo ao corpo meu.
Enquanto debruçados contra o céu,
Não mais que um centímetro nos salva...!

Belo Horizonte - 07 07 1994  

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