sexta-feira, 7 de agosto de 2026

HIPOCONDRÍACO

HIPOCONDRÍACO 


Talvez ardesse o peito; talvez não.

O vago sentimento d'estar vivo

Revela-se um anseio sem motivo,

Como algo me rondando a solidão.


Às vezes penso andar em negação,

Vendo-me empreendedor ou progressivo,

Quando surpreendo à morte o olhar furtivo,

Lasciva a me sorrir na escuridão. 


Admito, todavia, não ter nada

Além d'uma cabeça atormentada

Com doenças reais e imaginadas. 


Pelo sim, pelo não, eu remedio

Os males que me invento ao vento frio,

Saudando as alterosas neblinadas.


Brumadinho - 18 07 2026


terça-feira, 4 de agosto de 2026

DESANSIEDADE

DESANSIEDADE


Não te parece muito apenas ser?

Penso que estou onde preciso estar,

E a fazer o qu’eu preciso fazer.

O mais são ruas para caminhar…


Tenho andado sem pressa para ver

O mundo ao meu redor, certo de olhar

E incerto do que traz tanto querer,

Como fosse o porvir algum lugar.


Talvez eu seja quem posso existir.

Ao encontro do que possa ainda vir,

Aceitando-me, seja como for.


Não te parece muito apenas ir?

Penso que vou aonde conseguir.

O mais são serras para o sol se pôr.


Belo Horizonte - 30 07 2026

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

ÁRDUO VOO

 ÁRDUO VOO


Um chão alcatifado à flor de ipê

E horas de tarde morna e modorrenta…

A língua outra palavra experimenta,

Buscando nobre rima por mercê.


Soubesse de beleza sem porquê,

Nas trilhas da chapada poeirenta,

Andaria onde o sol desorienta,

Tamanha imensidão ali se vê.


Arribação de avoantes a poesia.

Meu verso em linhas tortas principia

Até saber dizer do que senti.


Carece, pois, de alturas miradouras,

Que me revelem luzes duradouras

Nas coisas distraídas que escrevi.


Belo Horizonte - 31 06 2026