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segunda-feira, 31 de julho de 2023

EU DE VÓS, MINHA SENHORA

EU DE VÓS, MINHA SENHORA


Eu de vós, minha senhora,

Tenho amiúde lembrado

Ao ver nas ervas do prado

Vossos olhos dia afora,

Tão verde luz o relvado…


Muito tenho me admirado,

Enquanto a campina flora,

Ver-vos em cada corola

De auriverde celebrado

A pupila sonhadora!...


Tão verde luz desde a aurora

O vale onde tenho andado,

Que me lembro amiudado

Dos vossos olhos outrora

Reluzindo do meu lado…


Eu de vós, minha senhora,

Tenho amiúde lembrado

Ao ver nas ervas do prado

Vossos olhos dia afora,

Tão verde luz o relvado…!


Betim - 31 07 2023


sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

QUEM D'ERRANÇA EM ERRANÇA

QUEM D’ERRANÇA EM ERRANÇA


Quem d’errança em errança

Põe a perder seu amor,

Há-de andar em desfavor

D’aquela cuja lembrança

Lhe animara em meio a dor…


Quem vai d’amor em amor

Há-de perder-se na andança…

Vivendo tão-só de esp’rança

Feito o ávido beija-flor

Que abandona quanto alcança.


D’errança em errança avança

Sem que chegue aonde for…

Pousando de flor em flor,

Se faz de eterna criança

Pelo afã de mais sabor.


D’errança em errança o ardor

O leva em ligeira dança

Em meio à desconfiança

Dos que houveram dissabor

Face à sua insegurança.


Quem, infiel da balança,

Muda de tudo o valor,

Tampouco alcança louvor.

Aliás, já vai com tardança,

Deixando só desamor.


Betim - 24 12 2020


quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

SE VIVO A MORRER D'AMORES

SE VIVO A MORRER D'AMORES 


SE VIVO A MORRER D'AMORES


Se vivo a morrer d'amores

É porque de vós, Senhora, 

Tal saudade me apavora...

Tanto que só tenho horrores,

Enquanto não nos vem a aurora...


Passa o dia sem demora

Após a noite sem pudores,

Lembrando nossos ardores

Face à solidão d'agora,

Fria sob os cobertores...


A morrer d'amores, flores

Vos traz aquele que chora

E ainda ao sereno implora

Ornar-vos com belas cores,

Enquanto não vem nossa hora.


Eu vivo a morrer, Senhora,

Sem vosso olhar; sem candores

A consolar minhas dores...

Se mais e mais s'enamora

Minh'alma em vossos fulgores!...


Igarapé - 11 12 2021

sábado, 16 de outubro de 2021

POR QUEM SOIS, MINHA SENHORA

POR QUEM SOIS, MINHA SENHORA


Por quem sois, minha Senhora,

Vinde-me agora à janela!

Quem tão boa quanto bela

A este que tão-só vos adora

Dai a mercê mais singela…


Dai-me outr’hora como aquela

Que à vossa face ‘inda cora

Quando adentrei sem demora

E às matinas na capela

Vos vi orar logo à aurora...


Dai-me como aquela outr’hora,

Por quem sois, ó minha bela!

Deixai de qualquer querela

Havida entre nós vida afora.

E vinde ouvir-me à janela.


Há-que escutar o que vela

E mais de vós s’enamora...

E mais e mais vos adora...

Seja altar vossa janela

À minha nossa senhora…!


………………………………..


sábado, 9 de outubro de 2021

MÚSICA ANTIGA A CANTIGA

MÚSICA ANTIGA A CANTIGA


Música antiga a cantiga,

Embora de letra nova...

Minha amada, minha trova

Ouvi, pois, se se bendiga

Ou se há-que volver à cova!...


A verdade a ver se prova

Quando a arte ao nada periga.

Haverá quem não consiga

Ver d'arte antiga a arte nova

Ou algo da nova na antiga.


Haverá quem não persiga

O encanto do que se trova:

Cantiga d'Amor em prova

De meus ais, amada e amiga,

Que em vossos ós me renova!


Minha amada, minha trova

Ouvi, pois, se se bendiga:

Cantar-vos-á nova e antiga

Em cantiga antiga e nova…

Nova poesia a cantiga. 

....................

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

MINHA SENHORA, EM GRÃ COITA

MINHA SENHORA, EM GRÃ COITA


Minha Senhora, em grã coita

Me veem vossos olhos verdes.

Lembrai, tão-logo me verdes:

Um que ao sereno pernoita 

Na esperança de o quererdes.


Vistos mais verdes os verdes,

O vosso olhar mais me açoita

Quando o sereno na moita

M’enregela sem me verdes, 

Minha Senhora, em grã coita.


O vosso olhar mais me açoita

Quando vós sem me saberdes

À espera... Sem me verdes

No amor de vós em mi' coita

Junto à moita de valverdes…


E se acaso não quiserdes,

Um que ao sereno pernoita

Esp’rançoso, junto à moita,

Lembrai verdes ao me verdes

Vossos olhos em mi' coita.


…………………………


domingo, 3 de outubro de 2021

COITA D’AMOR, TAMBÉM EU

COITA D’AMOR, TAMBÉM EU

Coita d’amor, também eu

Tenho vivido a morrer...

Na angústia de não saber

Por quem, sozinha no breu,

Tendes mais pálido o ser.

Vós, Senhora, um bem-querer

Deixastes p’lo peito meu.

Mas que de vós se perdeu,

Quando ao vosso bel-prazer

Outro ardor vos aqueceu.

Desde então, ai! Que faço eu,

Senão penar meu sofrer?

Aonde eu irei sem ver

Vossa face, se no breu

Tendes mais pálido o ser?

Que faço senão sofrer?

Que faço do peito meu

Que por vós já se perdeu?

Se por mau ou bom prazer,

Outro ardor vos aqueceu?…

…………………………...