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quarta-feira, 21 de maio de 2025

NÃO ME TOQUES

NÃO ME TOQUES


Vai-te e me deixas; volta aos teus cuidados. 

Afasta-te de mim — tu que me amaste —

Fala que fui um vil e sou um traste;

Se vierem questionar, lembra passados…


Depois de tantos anos de desgaste,

Passe eu como errado entre os errados;

Outro a arfar sob os olhos elevados 

D’estes cuja honra têm em altiva haste.


Não negues a tua íris furta-cores

Luzir sobre boníssimos amores,

Por um que se conhece e após s’esquece.


Deixa-me retornar à escuridão 

— Tu que me foste amada — Na ilusão

De me lembrares só em tua prece.


Inhapim - 20 07 2011


sexta-feira, 2 de maio de 2025

ÀS GARGALHADAS

ÀS GARGALHADAS


O riso da menina longe ecoa

Pelo imenso palácio da memória...

Mulher feita, sorri face à vitória

Da infância sobre o tempo e sua c'roa.


Ouve e se vê: Insólita pessoa!

— Uma vidinha nada meritória.

Contudo, ainda crê que sua história

Fará lembrar alguma coisa boa.


Aquela gargalhada sem vergonha,

Foi que fez a ela, mãe, se ver na filha 

E entender da alegria a maravilha.


Talvez já não se veja tão tristonha

Tendo tanta alegria ora à retina.

Ouve e se vê: Ainda uma menina...


Betim - 22 08 2011 

terça-feira, 8 de abril de 2025

INFECTOCONTAGIOSO

INFECTOCONTAGIOSO


Não me toques; retorna aos teus cuidados. 

Afasta-te de mim — tu que me amaste…

Fala que fui um vil e sou um traste;

Se vierem questionar, lembra passados…


Depois de tantos anos de desgaste,

Passe eu como errado entre os errados

Outro a viver senão de maus olhados

D’estes cuja honra têm em altiva haste.


Não negues a tua íris furta-cores

Luzir sobre boníssimos amores,

Por um que se conhece e após s’esquece.


Deixa-me retornar à escuridão 

— Tu que me foste amada… Na ilusão

De me lembrares só em tua prece.


Inhapim - 20 07 2011


sexta-feira, 16 de junho de 2023

TEMPESTADE

TEMPESTADE


Porque o vento veio antes da tormenta

Quando minha janela estava aberta...

A chuva tropical e a noite incerta

Caíram sobre aquela hora agourenta.


Lá fora, a ventania logo aumenta

E sua ultraviolência me desperta.

Assomo ao parapeito mais alerta

Ao que cada relâmpago acrescenta.


Às escuras, embora 'inda se veja,

Quando em quando, o contorno da cidade

Mais as serras por onde a luz evade.


E, enquanto venta, chove, e relampeja,

A noite passa alheia de que esteja

Assombrado de sua intensidade.


Betim - 17 01 2011


sexta-feira, 15 de julho de 2022

OLHANDO PARA O ATLÂNTICO

 OLHANDO PARA O ATLÂNTICO 

Vi a glória dos Deus vir sobre o mar.

O sol dourava as ondas nos primeiros

Momentos d'esse dia em verdadeiros

Milagres de luz para eu contemplar.

As nuvens s'espalhavam além no ar

Ao vento que curvava ao chão coqueiros,

Tendo força capaz de mil veleiros

D'este continente a outro impulsionar.

Já era hora de o dia amanhecer...!

A noite mais escura enfim termina,

Enquanto eu me percebo um vir a ser.

A aurora se reflete na retina...

Como se o olho de Deus a tudo ver,

O sol n'um céu dourado me ilumina!

Itacaré - 19 06 2011  

O EX-

O EX-


-- " Todo enamorado é o amante de ontem,

O esposo de hoje e o corno de amanhã…"

Eis a máxima para o estranho afã

De obrar por sobre entulhos que desmontem.


De qualquer modo, mais se desapontem

Os que essa angústia tomam por irmã:

Têm mente suspeitosa e dor malsã…

Tão-só desilusões talvez nos contem!


Entre a culpa e o prazer vão habitar.

Mas o que têm chamado eles de lar

Durará o quanto a outrem aprouver.

Antes, alerta a quem s'enamorar:

- - "É o adultério um bem ou malmequer

A obter dos outros quanto se quiser!"


Gov. Valadares - 26 06 2011

terça-feira, 18 de agosto de 2020

HOMEM AO MAR

HOMEM AO MAR


Imprudência ou coragem? O que leva

De novo o homem ao mar sem perceber

Que volta para o mar para morrer

Ou viver a um mergulho para a treva?


O que poderá o homem? O que o eleva

De novo pela gávea a longe ver

O oceano que atravessa para ter

A sua vida imensa, não longeva?


Aquele que no mar se desconcentra

E cansa... Morre quem vai para o mar

E desafia as ondas nas quais entra.


Morre ao mar não quem não sabe nadar,

Sim quem o navegando mais adentra.

Morre ao mar quem não teme se afogar.


Vila Velha - 09 06 2011


sexta-feira, 10 de abril de 2020

OLHANDO PARA O ATLÂNTICO

OLHANDO PARA O ATLÂNTICO 

Vi a glória dos céus vir sobre o mar 
Co'o sol dourando as ondas aos primeiros 
Instantes d'esse dia em verdadeiros 
Caminhos luminosos para o olhar. 

Na costa, com o oceano se agitar 
Mais o vento a envergar altos coqueiros 
N'uma força capaz de mil veleiros
D'esse continente a outro impulsionar. 

Já era hora de o dia amanhecer!... 
A noite mais escura enfim termina 
Para me haver um novo vir a ser. 

E o silvo d'além-mar que me destina
Para outra vida qu'eu saiba viver
Com milagres da luz sobre a retina. 

Itacaré - 19 06 2011 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

PALAFITAS

PALAFITAS

Sobre estacas submersas as moradas
Da vila sobre as águas a marear:
Casas de paus e tábuas d'um lugar
Que por ora rio; ora mar, banhadas.

Canoas ao invés de vãs calçadas
Onde todos andavam a remar
Por, da vazante à cheia, acompanhar
O vai-e-vem das águas enlameadas.

O mangue e a maresia omnipresentes 
No cheiro nauseabundo das manhãs
Entranhando algas e almas d'estas gentes.

E ainda que insalubres e malsãs
N'elas vêm repousar, indiferentes,
Depois de derrotarem Leviatãs.

Ilhéus - 21 07 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

ITAPARICA

ITAPARICA

Gaivotas salpicando o azul profundo
De branco, aqui e ali, ao céu e ao mar...
Eis natureza-viva! Rebrilhar
Em belos panoramas d'este mundo.

Um barco a vela surge inda oriundo
Mais de mim que do afã de se pescar.
Vai multicolorindo esse lugar
Onde meu querer faz-se tão fecundo.

Bom ser aqui-agora para ver
O que as traves em meus olhos vedavam
Enquanto os anos por mim passavam.

Pois mesmo após fracassos conhecer,
Percebo que jamais um fracassado
Serei enquanto eu for na vida amado.

Vila Velha - 03 07 2011 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

NEÓFITOS

NEÓFITOS  

Há bem pouco iniciados nos mistérios
De Vênus e de Baco, seus prazeres
Nós temos desfrutado como seres
Que encontram nas folias refrigérios.

O dia-a-dia vivemos muito sérios
Às voltas com maçantes afazeres.
Lá p’las tantas, porém, belas mulheres
Nos fazem bem folgar feito gaudérios.

Apreciamos as danças e a nudez
Para extrair-nos a máscula e alva seiva
Na pele que ditosa se lhes eiva.

E, por fim, as deixamos sem talvez.
A serviço dos deuses, quando em quando,
Mais jornadas d’amor lhes celebrando!

Belo Horizonte – 26 06 2011