terça-feira, 15 de setembro de 2026

ADÁGIO

ADÁGIO


Palavra dada, não se me abra a boca.

Ainda que na boca a frase dita

Não cale a dor do peito, apenas grita.

Seja sua desdita muita ou pouca...


Palavra dita ao léu, um tanto louca,

Soa à poesia sobre a linha escrita:

Revisitada a ponto de infinita,

Me aflige na garganta quase rouca.


Algo será poesia ao dizer tudo,

Se, e somente se, for dito sincero,

E, por sincero, digam já absurdo.


Garimpo ouro na lama em que chafurdo:

Seja poesia o adágio, embora mero,

Grito dado no ouvido do pior surdo!


Gov. Valadares — 19 09 1995

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