MEIA IDADE
A pele que me veste as carnes vãs
Teve dias melhores já, eu penso:
Pareço atordoado-embora-tenso,
Em face da mesmice das manhãs…
No tráfego, atravesso horas malsãs,
Enquanto dos deveres me convenço.
Reconheço, contudo, algo pretenso
Em ver obrigações como vilãs.
Paro sem convicção para o trabalho
Como fosse uma espécie de espantalho,
A esperar no canteiro da avenida.
Ou se, a um momento meu de solidão,
Por fim me visse em meio à multidão
E passasse por mim toda uma vida.
Belo Horizonte - 02 09 2026
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