quinta-feira, 10 de setembro de 2026

MEIA IDADE

MEIA IDADE


A pele que me veste as carnes vãs

Teve dias melhores já, eu penso:

Pareço atordoado-embora-tenso,

Em face da mesmice das manhãs…


No tráfego, atravesso horas malsãs,

Enquanto dos deveres me convenço.

Reconheço, contudo, algo pretenso

Em ver obrigações como vilãs. 


Paro sem convicção para o trabalho 

Como fosse uma espécie de espantalho, 

A esperar no canteiro da avenida. 


Ou se, a um momento meu de solidão,

Por fim me visse em meio à multidão 

E passasse por mim toda uma vida.


Belo Horizonte - 02 09 2026

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