DAMA DA NOITE
Atravessa comigo a noite em claro,
No bar onde reviro os meus espólios...
Com sombras bem escuras pelos olhos,
Que de verde-esmeralda o brilho raro.
A roupa exuberante lhe reparo,
Pois, perfumada com marcantes óleos
De essências a exalar flores aos molhos.
E eu a morrer d’amor sem seu amparo...
Não sei por onde andou ou o que procura,
Quem, insone, me fez sonhar fecundo
Em face d’um sorriso de luz pura.
Só sei que me devassa o olhar profundo,
Enquanto me entorpece com brandura
A nuca mais cheirosa d’este mundo.
Belo Horizonte – 10 12 1995
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