NEGAÇÃO
Belo Horizonte - 04 04 1992
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
NEGAÇÃO
Belo Horizonte - 04 04 1992
PIN-UP
Sapucaia do Norte - 12 11 1994
UM ANDARILHO
Nuvens escuras cobrem todo o céu
Como fossem um forro espesso e baixo…
Caminho na avenida cabisbaixo,
Enquanto o rio fede feito fel.
Outra tarde caía ao olhar incréu,
Com torrentes descendo morro abaixo.
Na curta trégua a vida toda encaixo,
Antes que o céu desabe n’um tropel
Vento de terras úmidas distantes
Sopra sobre as árvores da estrada,
Anunciando a próxima pancada.
Escapo do dilúvio um cadinho antes,
Abrigado n'algum albergue imundo,
A tempo de assistir o fim do mundo.
Belo Horizonte - 08 12 1995
STELLA MATUTINA
Belo Horizonte - 12 09 1995
ESTUDOS PARA NU
Se do teu corpo moldo meu desejo,
– Pondo, em mármore ou bronze, eternidade –
Sobre o sexo postulo mais verdade
Do que vãos moralistas com seu pejo.
Prazeres na beleza antevejo.
Nas formas, ao buscar mais liberdade,
Recriar-te com frieza de deidade,
Embora ao toque vibres qual arpejo…
Registro em ti efêmero momento
E nos olhos febris muda mensagem,
Fazendo dos sentidos sentimento.
À flor da pele, sexos que reagem:
Em vista d’um fugaz contentamento,
Sejas tu pelos séculos imagem!
Betim - 02 05 1995
DIA DE FINADOS
Belo Horizonte – 02 11 1991
ACTO DE CONTRIÇÃO
Salvador - 19 09 1995
FREUDIANO
ALTER EGO: — “Se tem o dia um sol à beira-mar
E o mar, um azul para cada dia,
Dize-me: Por que tal desalegria?
Por que distante sei eu t’encontrar?”
“Diz, que melancolia tens n’olhar?
Se o teu olhar no meu se consumia…
Se hoje, tão lindo o mar, mais se perdia
Nas ondas do horizonte o teu cismar ?”
EGO: — ‘Envidar a si mesmo sem intento,
Não nos faria mais do que insensatos
Que veem em sua paz o seu tormento...’
ALTER EGO: — “Oras, ao inferno tu com teus recatos!
Antes perder-se no mar do sentimento,
Que andar ensimesmado entre os pacatos.
Salvador - 18 09 1995
ZENITAL
— ”Andemos, nossa morte já não tarda:
Para o zênite, o sol subirá alto!
O horizonte derrete-se no asfalto,
E o caminho se perde em terra parda.” —
Eis o arauto, distante, que alto alarda
O fim do mundo pelo sol de assalto…
Que diremos d’oráculo do arauto
Que do sol e do fim histórias guarda?
— ”Além d'esse caminho há outro — respondo —
Não há um fim no mundo, antes promessas:
Luza ao zênite o sol, após se pondo…”
Como crer em histórias iguais a essas?
— ”Se for esse o meu fim, onde m’escondo?
Caia-nos logo o sol pelas cabeças!"
Betim - 01 11 1993
DAMA DA NOITE
Belo Horizonte – 10 12 1995
EPITALÂMIO
Tua beleza oculta atrás do véu
Revele-se bondade em tudo o que és.
Recebe a mim inteiro ora a teus pés,
Embora às vezes rei; às vezes réu.
Prometo em meu amor te ser fiel,
Em plena abundância ou no revés.
Que nada nos afaste mais! Ao invés,
Andemos lado a lado sob o céu.
Saiba eu o quão sensível é teu peito…
D’oravante, tenhamos a viver
Só dias de carinho e de respeito.
Sejamos tudo o que pudermos ser:
A felicidade em nós seja um direito.
A sinceridade em nós seja um dever.
Belo Horizonte - 01 07 1993