Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
A INÚTIL
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
CACÓFATO
Se ALMAMINHA fez célebre Camões
Sem ele dar-se conta que o escrevera,
Mais ainda se quis quem mal o lera
Alheio das mais doutas opiniões...
Ao terno vocativo e seus senões
Outra cousa um maldoso lh'entendera
E ainda outra quem d'ouvido em cera
Menos se lh'escutou que deu razões.
Se estragaram-lhe os versos tal galhofa
É que o besta à barriga mais estofa
Vendo o tolo sem cuidar da própria vida
Bah! Até os mestres erram... Quem diria?!
Diante d'outra leitura bem vadia
Ou senão d'alguma mente poluída!
Betim - 02 12 2008
domingo, 25 de dezembro de 2016
NATAL DE JESUS
NATAL DE JESUS
Três sábios seguem uma estrela nova...
Vêm d'Oriente e atravessam o deserto.
Chegam a Belém co'o designo certo
De ver o filho de Davi: --“Boa Nova!
“Nasceu Jesus, o ungido!!! Deus renova
Sua aliança... Eis a nós o céu aberto!
Jaz o menino entre as palhas desperto...
Acalme-se o mar! Um monte se mova!...”
Há dois mil anos contam essa história,
No regozijo d’uma Humanidade
Que o divino reveste então de glória.
Pois celebram os homens, em verdade,
No solstício com seu mistério antigo,
A alegria de ter Jesus consigo.
Betim - 24 12 2008
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
EM BREVE
EM BREVE
Dá tempo ao tempo tu que te anseias tanto
E te angustias pelo que virá...
Seja medo d'alguma coisa má;
Seja esperança d'outro grande encanto.
Não, não te desanimes por enquanto.
Antes vê n'este instante tudo que há-
De mais emocionante a fazer já
Um verso que te sirva de acalanto.
Deixa que se esvaziem as palavras
E espalha mais sementes pelas lavras
Do desolado solo de teu peito.
Logo logo estarás de novo em paz
Apenas co'o viés que o tempo traz
De sempre mudar tudo do seu jeito.
Betim - 12 12 2008
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
MONUMENTÁLIA
MONUMENTÁLIA
Se os olhos viram já coisas demais,
Talvez a imensidão dos céus de Deus
Falasse um pouco mais aos olhos meus
Do que as cúpulas mais monumentais.
Ou as pedras de colunas colossais
Por onde vêm e vão os passos teus.
A balizar os mesmos pés plebeus
Distraída através de arcos triunfais...
Passo pela avenida secular
E contorno o obelisco grafitado
Enquanto assisto o tempo ali passar.
Ao largo, rememoro ‘inda o legado
D’aqueles que deixaram no lugar
Essa imensa presença do passado.
Belo Horizonte - 07 12 2008
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
BANHO DE BANHEIRA
BANHO DE BANHEIRA
Nua, faz que não vê meus olhos n'ela
Pois indo se banhar sem pressa alguma.
Cobre-se, do pescoço aos pés, de espuma:
Consegue d'algum modo ser mais bela...
De facto, mais esconde que revela
A neve branca que ora lhe perfuma.
Não fosse a aborrecer, uma por uma,
Eu sopraria as bolhas só por vê-la!
Em todo caso, é bom estar tão perto
E saber que seu corpo ali coberto
A mim se mostrará em esplendor.
E logo há-de ficar à flor da pele
Toda a sensualidade que a impele
A ser minha mulher e meu amor.
Betim - 02 03 2008
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
DE CUJOS
DE CUJOS
Aquele que serei quando morto,
De cuja sucessão eu trato agora,
Declarará de mim pela última hora
Tais termos a me dar algum conforto:
-- “Duvido que algum anjo, certo ou torto,
Tenha me acompanhado desde a aurora.
Ainda assim eu, antes de ir embora,
Sei chorar sangue como Jesus no horto!...”
“Não que essa minha angústia se compare,
Mas sim, depois de tudo, ‘inda repare
Ignorar quais propósitos tem Deus.”
“Deixo-vos, por herdade, o que couber
E o intento de a existência, por fim, ser
Vida que gera vida para os seus.”
Betim – 20 02 2008
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
ESTAÇÃO DAS ÁGUAS
ESTAÇÃO DAS ÁGUAS
N’uma noite qualquer de primavera,
Tanajuras revoando pelos ares
Anunciam as chuvas por tornares
À terra que mais úmida se houvera.
Tu desde criança sabes que, de vera,
O voo d’aquelas rainhas invulgares
Espalhadas por todos os lugares
Tem um quê de alegria e de quimera.
Hoje, enxames de içás em profusão
Vêm me desanuviar o coração
Enquanto à brisa tépida te inspiras.
Leva contigo as minhas fantasias
E as lembranças de criança que querias
Conhecer tal-e-qual um dia ouviras.
Sobrália – 10 11 2008
terça-feira, 25 de outubro de 2016
O PECADOR
O PECADOR
Têm meus olhos a exacta e vã medida
Da extensão da maldade que há no mundo.
Executei-e-sofri o mal, fecundo
Foi seu lavrar por toda a minha vida
Anos de mocidade à inadvertida
Experimentação do que é imundo!
Busquei sempre prazer, poço sem fundo,
Atrás d'uma beleza corrompida...
A esconder-me do bem, relativizo.
Até que se me impôs, sem prévio aviso,
A minha volta triste e maltrapilho.
Mas espero, por fim, não por meu mérito,
Sim pelo amor d'Aquele cujo inquérito,
Far-me-á, embora pródigo, seu filho.
Betim - 02 11 2008
domingo, 23 de outubro de 2016
EXISTÊNCIA
EXISTÊNCIA
N'uma vida de mais erros que acertos
Atravessei os anos do Milênio.
Contudo, sucumbi ao meu mau gênio
Em face da clareza dos expertos.
Tão-só mantive os olhos bem abertos
Para o drama encenado no proscênio.
Mais carente d'amor que de oxigênio,
Só encontrei espíritos desertos...
Assim cheguei ao ponto de duvidar
Que me houvesse de facto algum lugar
Onde eu possa levar em paz a vida.
Drama ou não, continua um teatro o mundo.
Existindo, eu tento, erro e me confundo,
Mas atraso um pouco a hora da partida...
Betim - 08 08 2008