sábado, 24 de junho de 2017

SUBPROLETÁRIO

SUBPROLETÁRIO

Enquanto uns poucos tinham quase tudo,
Quase todos tinham quase nada.
Mas todos n'essa terra desolada
Muito sós... Do miúdo ao mais graúdo!

Muita miséria aqui o sobretudo
Esconde-me jornada após jornada...
Em meio os que na rua têm morada,
Vejo um povo fechado e carrancudo.

A vista da cidade era d'extremos:
A carência e a opulência desmedidas
N'um diário espetáculo vividas.

Se for tudo o que somos o que temos,
A riqueza se faz do que perdemos
E, ao fim, se faz de nossas próprias vidas.

São Paulo - 17 06 2017