POR AGORA
Se o presente é ausência, em alheamento
Atravesso horas cinzas tão-somente
A topar com a angústia recorrente
Que vem me anuviar o pensamento.
Mas é o que se tem para o momento,
Esse desassossego displicente
Com que encaro o caminho à minha frente,
Distante de qualquer contentamento.
Ainda entre o que foi e o que será,
Espero uma certeza que não há
De superar o tempo em que estou.
O instante, todavia, se prolonga,
Em vista d'esta fase, curta ou longa,
Que logra rir de tudo quanto sou.
Belo Horizonte - 08 06 2025
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