O SEXTILIONÉSIMO Estimaram, às portas do Milênio, Que nós fôssemos mais de seis bilhões, Vendo ao mundo as finais transformações, Tal-qual profetizou o povo essênio. Tantos, que há-de faltar-nos oxigênio Ao longo dos mais tórridos verões… Por bem monetizar devastações Uns homens de poder e de grão gênio! Apocalipse à vista, um nascituro Há-de testemunhar-nos a aflição, Enquanto a profecia se completa. De facto, eis que este chega sem futuro... Só mais um a viver em negação, Diante do esgotamento do Planeta. Belo Horizonte - 20 02 2002
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
sexta-feira, 18 de julho de 2025
sábado, 12 de julho de 2025
DÈJÁ VU
DÈJÁ VU
Hoje admito que estou muito cansado
E que ando mais sozinho do que devo.
Imerso em tantos eus, quase longevo,
Pareço um caramujo ensimesmado.
Não que ainda me sinta amargurado,
Somente ao que desejo não me atrevo:
Mais nada experiencio de relevo,
Sem antes presumir tê-lo sonhado.
Aguardo o trem chegar à plataforma.
Deveras, a exceção tornou-se a norma,
Ao estranhar-me de novo de partida.
As sensações… As sombras… A tristeza!
Em face do já visto, com certeza,
Eu sigo andando em círculos na vida.
Belo Horizonte - 20 10 2002
quarta-feira, 9 de julho de 2025
INTROSPECTO
INTROSPECTO
Olhando para dentro, ora me vejo
Perplexo com quem sou e tenho sido.
Vivo às margens de mim; perto d'Olvido,
Nos vãos da solidão e do desejo.
Eu tanto m'enganei que tenho pejo
De a ilusões ter um dia dado ouvido…
Tudo hoje me parece sem sentido,
A ponto d'eu descrer de quanto almejo:
Desejar é perder-se no outro. Assim,
Procuro m’encontrar dentro de mim,
Ao invés de me buscar novos tiranos.
Para além de qualquer satisfação,
Romper de vez os elos da prisão
Que me roubou de mim por tantos anos.
Belo Horizonte- 20 05 2002
domingo, 26 de fevereiro de 2023
PITONISA
PITONISA
Segreda às pedras tuas sós verdades,
Enquanto a lua apenas acontece...
Ou senão a poesia -- oferta e prece --
Revelará dos deuses as vontades.
Não obstante, entre enigmas e obviedades,
Hás-de contar somente algo que expresse
O destino que todo homem padece
Iludido com suas liberdades.
Tu, sacerdotisa do profundo,
Assentada no umbigo d'este mundo
Poetizas os desastres do porvir.
De vapores por fim entorpecida,
Teus versos profetizam morte e vida
Dos quais tantos em vão tentam fugir...
Belo Horizonte - 06 07 2002
domingo, 1 de janeiro de 2017
TOQUE D'ANGOLA
TOQUE D'ANGOLA
Cadencia, mestre, o berimbau
E chama o povo p'ra jogar capoeira!
Mas manda abrir a roda de maneira
A melhor se medir o bom e o mau.
Arame de aço mais vara de pau,
Que, já tensos n'um arco de madeira,
Ressoam a cabaça à tarde inteira
Com vareta e dobrão de dar o grau.
Chacoalha em tua mão o caxixi
Que ritma toda a ginga na negaça
Quando avança e recua com mais graça.
Floreia o mortal, caindo sobre si...
A seguir tua lenta percussão,
Batendo compassado o coração.
Betim - 09 08 2002
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
O MONGE E A SERPENTE
sábado, 24 de dezembro de 2016
MNEMÔNICA
MNEMÔNICA
De aliterações, rimas e assonâncias
A mente liga pontos e faz pontes,
Que há séculos e séculos são fontes
Para poetas contarem suas ânsias.
Assim, as milimétricas distâncias
Que por entre neurônios alguém conte
Nos têm a imensidão d'um horizonte
Após nos registrar tantas errâncias...
Espaço-tempo em si, nossas memórias
Parecem nos contar outras histórias
À medida que os anos têm passado.
Sem embargo, há-de ser a oralidade
Capaz de nos dizer toda a verdade
N'um verso febrilmente declamado.
Belo Horizonte - 25 01 2002
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
ORÁCULOS
ORÁCULOS
Segreda às pedras tuas sós verdades,
Enquanto a lua apenas acontece...
Ou senão a poesia -- oferta e prece --
Revelará dos deuses as vontades.
Não obstante, entre enigmas e obviedades,
Hás-de contar somente algo que expresse
O destino que todo homem padece
Iludido com suas liberdades.
Tu, sacerdotisa do profundo,
Assentada no umbigo d'este mundo
Poetizas os desastres do porvir.
De vapores por fim entorpecida,
Teus versos profetizam morte e vida
Dos quais tantos em vão tentam fugir...
Belo Horizonte - 06 07 2002
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
QUIPROQUÓ
QUIPROQUÓ
Pois é... Há quem troque isto por aquilo,
Fazendo tempestade em copo d'água.
Turbilhão d'emoções ardem em frágua
Na vigília do espírito intranquilo!...
É fácil ver maldade n'um vacilo
Quem tem o coração já cheio de mágoa.
Após, em turvo rio ele deságua
E rompe igual barragem seu sigilo.
Ao se pressupor culpa, cai por terra
A ideia de que o inocente também erra,
Pois deve ser punido mesmo assim.
Quanto mais se defende, mais se acusa
Qualquer coitado diante da confusa,
Que julga em tudo sempre algo de ruim.
Betim – 19 12 2002
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
RAIO DE SOL
RAIO DE SOL
O pó que se acumula na mobília
Captura a luz na fresta da janela.
São milhões de corpúsculos aquela
Réstia a luzir tal-qual dourada trilha.
Percebo a rarefeita maravilha
Em fluidificada luz então mais bela,
Que lento movimento se revela
A olhos semicerrados em vigília.
A janela d'uma única bandeira
Deixava o sol entrar no quarto escuro
Espremido por tábuas de madeira.
Parecia o sol raiar assim mais puro
Como quisesse já d'essa maneira
Me dar toda a alegria que procuro.
Inhapim - 12 09 2002