domingo, 4 de janeiro de 2015

TEMERÁRIO


TEMERÁRIO

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TEMERÁRIO

Tenho medo de que teu olhar tenha
Uma verdade cuja luz sequer
Ousaria admirar enquanto houver
Dor. Mesmo que a dor venha e convenha...

Como um que quer tanto que desdenha;
Como aquele que vem só quando quer;
Pudesse o olhar extremo da mulher
Penetrar fundo tão obscura brenha!

Não. Nem é mais talvez nem inobstante,
O bom d’estarmos sós é semelhante
Aos derradeiros sonhos e esperanças.

Entenda: posso dar nem mais um passo,
Sim o tropeço só que ganha o espaço,
Rodopiando-me em falso estranhas danças.


Betim - 30 12 2014