LIMÍTROFE
A coisa só piora, ou melhor, melhora.
À medida que a vida degringola,
A gente olha p’ra si meio pistola
Sem saber quando ri ou quando chora.
Qualquer dia, o mal d’alma ao corpo aflora…
Em vista do pescoço na degola,
O mundo, após arder-nos a caixola,
Qual fósforo queimado joga fora.
Olham e dizem: “Outro que surtou!”
A rima, tão monótona, imitou
Seu próprio dia a dia tão insosso.
E dão de ombros: “Mais um que se perdeu…”
Quem se souber limítrofe como eu
Acabará no fim tendo algum troço!
Belo Horizonte - 26 04 2021
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