Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
domingo, 20 de maio de 2018
AGRADOS
Deixa-me te agradar; te agradecer.
Apenas um carinho, um mimo, um verso...
Ir me aventurar por teu universo
Sem levar uma bússola sequer.
Cada recanto teu vou conhecer
Ao recolher teu mel em vão disperso.
Mas quando estiver todo em ti imerso,
Eu sinta tua essência me envolver.
Deixa-me te fazer só um agrado
E te dar um pouquinho do que sou
A sentir teu calor cá do meu lado.
É o melhor que tenho que te dou...
Amor que só existe p'ra ser dado!
Amor que apenas tem quem muito amou!
Betim - 24 10 2016
sábado, 17 de dezembro de 2016
SOL D'ESTIO
SOL D'ESTIO
É lindo quando o céu se abre à tarde
Após dias de chuva ininterrupta.
Parece uma alegria quase abrupta
D'esse sol que, a dourar nuvens, luz e arde.
Quiçá uma beleza assim atarde
Àquela solidão que vem inupta.
Tal como a fala estúpida e incorrupta,
Que se vê na coragem do covarde.
Ou ainda possa ter que d'esta hora
Se faça etérea e lúcida experiência
Quando a Natura em cores comemora.
Incline-se, por fim, em reverência
Minh'alma emocionada, muito embora
Acompanhe eu d'um rei a decadência.
Betim - 16 12 2016
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
GATA ANGORÁ
GATA ANGORÁ
Talvez tamborilasse uma angorá
Enquanto o sol ardia no telhado...
Imagino-a correr de lado a lado,
Mas sem saber de vera onde ela está.
Eu a escuto ora aqui; ora acolá,
Grunhir estranha e aflita o seu estado.
E ainda qu'eu me veja preocupado,
Aguardo tudo até ver no que dá.
Parece enfim que a gata se incomoda
Depois de circular a tarde toda
Bem leve e solta lá pela cumeeira.
Não tem jeito: Vou ter de pôr a escada!...
Só assim p'ra findar sua jornada
E resgatar a gata aventureira...
Betim - 07 12 2016
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
SILÊNCIOS
SILÊNCIOS
Não tenho olhos senão para os teus olhos...
Acredita-me, embora antigos medos:
Nossa história e seus tantos desenredos
Parecem conduzir-me sempre a escolhos...
Porém, como se espreitasse por ferrolhos,
Espio tolamente os vãos segredos,
Que guardas co'as lembranças de anos ledos
Abandonados entre outros trambolhos.
Ou não... Silêncios só silêncios são!
Interpretá-los é, na escuridão,
Conseguir ver até o que se esconde.
Nada tem a dizer quem nada diz...
Eu só posso supor que estás feliz,
Buscando um lugar sem saberes onde.
Betim - 04 12 2016
domingo, 4 de dezembro de 2016
AMPULHETA
AMPULHETA
Não te demores, minha linda amante,
Em gozar no meu corpo os teus prazeres.
Os grãos da vida caem sobre os quereres
A ocultar-nos o amor de instante a instante...
Não deixes de sentir no peito arfante
Um encanto maior vir sem o souberes
E aceita-me, mulher entre as mulheres,
Os meus olhos nos teus olhos bem diante.
O tempo que nos passa, todavia,
Parece correr mais rápido e em vão
Agora que te sei no coração.
Apressa-te! Ou senão nossa alegria
Permanecer-nos-á uma lembrança,
Enquanto cada grão de mim se lança...
Betim - 03 12 2016
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
PALAVREADO
PALAVREADO
Não me ponhas palavras pela boca,
Sem antes eu as ter no coração!
Tudo o que escrevo, com ou sem razão,
Eu senti... Mesmo quando em vão te choca.
Tem palavra que sempre me provoca
O afã de reviver uma emoção.
Outra, reluz em mim feito clarão
Tal a beleza qu'ela em si evoca.
Por isso tento ornar o palavreado,
Crente que na poesia cada termo
Me pareça a seu modo destacado.
Já nem reparo mais se velho e enfermo
Escrevo em linhas tortas o meu Fado...
Garimpo-me palavras n'algum ermo.
Ibirité - 27 11 2016
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
TESOURO DA JUVENTUDE
TESOURO DA JUVENTUDE
Os versos que escrevi quando mais moço
Releio agora um tanto comovido.
Confuso é lembrar quem soube eu ter sido
Sem me chocar o máximo que posso...
Havia dentro em mim muito alvoroço
Diante de cada verso revivido,
Por trazê-los de volta desde o olvido
Como se jóias no fundo d'algum poço.
Memórias imprecisas-mas-preciosas
-- Pois, mais que importantíssimos eventos
Contêm a descrição de sentimentos --
São, literariamente, pretenciosas...
Muito embora aos meus olhos valham ouro.
As obras juvenis d'esse tesouro.
Betim - 14 11 2016
BEM-TE-VI
BEM-TE-VI
Surpreendera-me ao andar pelo telhado
Aquele passarinho mais singelo.
Tinha o peito retinto de amarelo
E cada olho de preto mascarado.
Esse mexeriqueiro só e alado
Vinha me acompanhar em meu desvelo:
Amanhencia o dia, bom e belo,
Quando ele veio cantar bem do meu lado.
Parecia inusitado a ele eu ali
Na altura do telhado; na alva aurora...
Admirando o nascer do sol em si.
Como a me denunciar, não ia embora;
Ficava repetindo: "Bem te vi!"
Só por estar do lado cá de fora...
Betim - 13 11 2016
domingo, 6 de novembro de 2016
CÂNFORA
CÂNFORA
Toda a casa cheirava à choro e vela
Ou uma d'essas fragrâncias vãs de empório.
Como se ainda há pouco algum velório
Onde a sala faz vezes de capela...
Mas o cheiro que enchia a casa d'ela
Parecia mesmo algo merencório.
Ainda que com modos de finório,
Postando-se de pé junto à janela...
Eram duas figuras solitárias:
Ela, com os seus santos e seus mortos;
Ele, com sua culpa e desconfortos...
Assim, face a figuras tão contrárias,
Sentira eu a tarde toda, bem ou não,
De cânfora, um odor de solidão.
Inhapim - 05 11 2016
sábado, 5 de novembro de 2016
RODOVIA BR 116
RODOVIA BR 116
Os ônibus que partem para longe
Saem já de madrugada no sereno.
À noite, em meio às horas, me apequeno
Ainda que a vidraça outrem esponge.
Mas na hora da partida, feito um monge,
Reze todo um rosário por ameno
E saiba que se faça a mim mais pleno
A mesma imensidão que nos alonge.
De facto, na distância, ando tão só...
Mesmo que me reserve só por dó,
Amar aqueles olhos já perdidos.
Não obstante, há os ônibus e horários...
Os caminhos insistem, mas tão vários,
Que me levem além d'esses olvidos!
Inhapim - 04 11 2016
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
FINADOS
FINADOS
Já recolhido ao quarto de dormir
Aguardo o sono vir com outro sonho.
Considero 'inda o tempo que disponho
Entre as luas d'agora e as do porvir.
Meus olhos se ressentem de insistir
Em antever na noite algo bisonho:
Quando da juriti o roar tristonho
Através dos sertões se faz ouvir.
A hora passa sem qu'eu nem me aperceba...
Não importa o que dê ou que receba
O amor não era mesmo para ser...
E o sono traga o sonho simplesmente
Sem pensar no que venha pela frente
Permita tão-somente eu me esquecer.
Sobrália - 02 11 2010
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
FLUORESCÊNCIAS
FLUORESCÊNCIAS
P'ra todos os efeitos, nossos dias
São feitos de confusas descobertas.
Escrever torto por linhas incertas
Tem sido uma infindável alegria.
Juntar os meus versos em poesia,
Mantendo o coração e a mente alertas,
Eleva aos deuses ávidas ofertas
Incensadas de plena fantasia.
Brilhar no escuro é para muito poucos...
Mas sorrir na tristeza é para os loucos
Que como eu atravessam madrugadas.
Sejam as nossas rimas florescências
Onde a mínima luz faz de existências
Aventuras insãs do nada ao nada.
Betim - 28 10 2016
ALEGRO
ALEGRO
Amanhece e já canta o passarinho
A sua melodia docemente.
Paro para ouvi-lo, displicente,
Enquanto repetia o meu caminho.
Música ou não, aquele barulhinho
Era algo assim tão terno e tão dolente
Que soía fazer cócegas na mente
Tal a alegria em seu trinar sozinho.
Dou-me conta ao escutá-lo que feliz
É quem percebe a música de tudo,
Entendendo o que cada coisa diz.
Pouco importa se a ouvir aves me iludo,
Todo imerso d'encantos infantis,
Eu atravesso a rua e a vida mudo...
Betim - 28 10 2016
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
AGRADOS
AGRADOS
Deixa-me te agradar; te agradecer.
Apenas um carinho, um mimo, um verso...
Ir me aventurar por teu universo
Sem levar uma bússola sequer...
Cada recanto teu vou conhecer
Por recolher teu mel longe disperso
E quando eu estiver em ti imerso
Eu sinta tua essência me envolver.
Deixa-me te fazer só um agrado;
Eu te dar um pouquinho do que sou
E sentir teu calor cá do meu lado.
O melhor do que tenho é que te dou:
Amor que só existe p'ra ser dado!
Amor que só tem quem já muito amou!
Betim - 24 10 2016
NOVEMBRADAS
NOVEMBRADAS
Não sei se alguém está contando os dias,
Só sei que mês que vem fará um ano...
O tempo passa sempre soberano
E indistinto a tristezas ou alegrias.
Dez anos se passaram nas sombrias
Horas em que nós -- não sem perda e dano --
Vivemos plenos esse encontro humano
Que uns chamam amor; outros, agonias...
Novembros têm sido aqueles meses
Nos quais por repetidas-mas-vãs vezes
Acontecem chegadas e partidas.
Hoje, a questão sequer é ser feliz,
Sim ir aonde aponta ora o nariz:
Tão-somente seguirmos nossas vidas.
Betim - 02 10 2016
sábado, 22 de outubro de 2016
BAMBUZAL
BAMBUZAL
Bailado de taquaras envergando
Enquanto cai a chuva tropical.
Uma cortina verde, o bambuzal
Parece mil veleiros sem comando!...
O aguaceiro emborrasca quando em quando...
Uivando desvairado o vendaval,
Os bambus têm ressoado tal-e-qual
Um grande concerto onde oboés tocando.
N'aquele inusitado movimento
Se põem, agitadas pelo vento,
Sincronismo de música mais dança.
E por público d'esta maravilha,
Nos alegramos, eu e minha filha,
Diante d'um bambuzal na vizinhança.
Betim - 22 10 2016
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
ASSUNTANDO
ASSUNTANDO
Para ficar junto há-que ter assunto.
Ser agradável; ser agradecido...
São duas faces d'um agrado havido:
Duas emoções n'uma só ajunto.
É por isso que insistente eu te assunto...
Busco para as palavras um sentido,
Que faça eu te falar perto do ouvido,
Dando um jeito de a gente estar mais junto.
Não é nada demais; é só um papo...
Jogar conversa fora e, quando em quando,
Olhos nos olhos ir bebericando.
Então -- nem mais princesa e nem mais sapo --
Sabendo ser a vida tão fugaz,
Nós possamos trocar ideias em paz.
Betim - 19 10 2016