segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

ÁGUA-FURTADA

ÁGUA-FURTADA 
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ÁGUA-FURTADA 

Aquela casa tem uma janela 
Que nunca vi aberta, muito embora 
O sol forte do lado cá de fora 
E a sua arquitetura a mim tão bela. 

Tantas vezes olhei fixo para ela 
E nunca vi pessoa, antes ou agora. 
Entanto, estranhamente me apavora 
Vê-la sempre fechada feito cela. 

O que esconde por seus vãos mais obscuros 
Ninguém lhe saberá fora-os-muros, 
Porquanto inescrutáveis sós segredos. 

Compreendo se esconder o que for feio, 
Mas a penumbra feita ao meu anseio 
São antes ignorâncias só de medos. 

               Betim - 01 02 2015