segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A MARIPOSA

A MARIPOSA

Já passava comigo a noite em claro,
A rodear a luz da escrivaninha.
Vez ou outra, rente à pele me acarinha
E vai-se, sem que eu faça mais reparo.

Mas pousa no retrato do preclaro
E — por que não? — errático poetinha!
De modo que elegante se sustinha
Na pálpebra d'um rosto a mim tão caro.

Já passava comigo a noite escura
A panejar sua asa adamascada
E agora em sua calva então figura...

Registro que, poesia sublimada,
A mariposa em sua desventura
Deu vida àquela face iluminada.

Betim - 09 05 1995  

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