sexta-feira, 18 de setembro de 2026

ORIGENS DA FLAUTA

ORIGENS DA FLAUTA 

                             

Souberam-me, contudo, alta Clio, outro conto   

De quão irrefreável e violento Amor!   

Quis ―  do grande deus Pã ― ousar-se vencedor:  

Fê-lo inventor da flauta e a impôs ao contraponto.   


Embora de Hermes filho, era Pã velho e tonto...   

Encantado, se vê de Siringe amador.   

Ao declarar, porém, à bela ninfa amor,   

Ela, por não o amar, negara-o de pronto.   


Siringe, a caçadora, avança agora caça.   

Para à margem do rio e roga às ninfas manas   

Fugir ao feio Pã, que apressado ali passa.   


Pã tenta lhe abraçar, mas só abraça canas...   

D'elas ouve um queixume, achando alguma graça.   

E sopra a flauta Pã, para as paixões humanas...  

 

                       *          *          * 


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