ORIGENS DA FLAUTA
Souberam-me, contudo, alta Clio, outro conto
De quão irrefreável e violento Amor!
Quis ― do grande deus Pã ― ousar-se vencedor:
Fê-lo inventor da flauta e a impôs ao contraponto.
Embora de Hermes filho, era Pã velho e tonto...
Encantado, se vê de Siringe amador.
Ao declarar, porém, à bela ninfa amor,
Ela, por não o amar, negara-o de pronto.
Siringe, a caçadora, avança agora caça.
Para à margem do rio e roga às ninfas manas
Fugir ao feio Pã, que apressado ali passa.
Pã tenta lhe abraçar, mas só abraça canas...
D'elas ouve um queixume, achando alguma graça.
E sopra a flauta Pã, para as paixões humanas...
* * *
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