I
PRÓLOGO
Caminhava; e a ideia me veio andando:
Era alguma harmonia vinda ao longe, vaga,
Ou senão fantasia em que verdades traga
D'um mito que ninguém saberá onde ou quando.
Ouço ― dentro de mim ― lira e flauta soando.
Eu vejo um deus dourado, enquanto a lira afaga,
E um artista que beija a flauta s'embriaga...
Vejo-os, pelo caminho, à medida que eu ando.
Apolo e Mársias vêm... Disputam bem à frente!
Pois, se imagino o real, talvez consiga vê-lo,
E, ainda ao imaginar, criar poeticamente.
Nos desvãos da memória, os recordo em duelo:
A lira e a flauta soam: Ocidente e Oriente
Opostos n'um Ideal, a excelência do Belo!
* * *
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