quinta-feira, 17 de setembro de 2026

PRÓLOGO


I

PRÓLOGO

Caminhava; e a ideia me veio andando:    

Era alguma harmonia vinda ao longe, vaga,   

Ou senão fantasia em que verdades traga    

D'um mito que ninguém saberá onde ou quando. 


Ouço ― dentro de mim ― lira e flauta soando.    

Eu vejo um deus dourado, enquanto a lira afaga,  

E um artista que beija a flauta s'embriaga...    

Vejo-os, pelo caminho, à medida que eu ando.  


Apolo e Mársias vêm... Disputam bem à frente!   

Pois, se imagino o real, talvez consiga vê-lo,    

E, ainda ao imaginar, criar poeticamente. 


Nos desvãos da memória, os recordo em duelo: 

A lira e a flauta soam: Ocidente e Oriente 

Opostos n'um Ideal, a excelência do Belo! 


*          *          * 


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