MINGUANTE
Míngua a lua no céu. Míngua no chão
O luar que clareia a minha estrada.
Embora seja pouca; quase nada
A luz da meia lua em seu clarão.
À míngua está também meu coração,
Tão mal amado e só na madrugada,
Face àquela minguante mais minguada,
No fim de sua cíclica feição.
Talvez porque imagem d’um amor
Que outro dia surgiu com novo ardor
No céu de minha vida até ser pleno.
Contudo, já sem brilho, se despede.
E esse fio de luz que me concede,
É que agora me guia no sereno.
Belo Horizonte - 31 08 1991
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