Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
O MONGE E A SERPENTE
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
NO DIA DE SÃO NUNCA
NO DIA DE SÃO NUNCA
Ausente do corrente calendário,
Eis o dia que não há-de chegar!
Embora sem qualquer tempo ou lugar,
Ao findar todo extremo temerário.
Jogava para o Olvido incerto e vário
A obrigação difícil de se honrar,
Bem como a meta inviável de alcançar
E ainda assim nos ronda o imaginário.
São Nunca -- bom padroeiro dos tardios --
Postergai nossas dívidas e dúvidas
Diante de carrancudos tão sombrios.
Indefinidamente, o vosso dia
Seque as lagrimas sobre as íris úvidas
D’aquele que não nega, só adia...
Betim - 01 11 2003
A MALTA
Bebendo n'uma sórdida espelunca...
Divertem-se co'a tal polaca adunca,
Cujos culotes são extraordinários!...
"Em canoa furada não se junca..."
Pois, livres -- antes tarde do que nunca! --
Se entregam ao instinto perdulário.
Descem a este inferninho de prazeres
Como lobos famintos rumo à caça.
Em meio a mais patética alegria,
Lhes faz rir de qualquer outra desgraça.
LACÔNICO
LACÔNICO
Se mais tenho a dizer, menos eu falo,
Respondo tudo assim monossilábico...
E perco longe os olhos qual estrábico
Para não te encarar quando me calo.
Baixo a cabeça feito algum vassalo,
Cuja rainha, em olhar febril e rábico,
Me transporta do céu sétimo arábico
A este lugar de limbo; de intervalo...
Mas o pouco que falo, muito diz
E o silêncio que faço me é gritante
Do que cá me faria mais feliz.
Falo e calo d'amor quando bem diante
Dos olhos que nem sei se vãos ou vis
Me veem falar calado a cada instante.
Belo Horizonte - 18 12 2005
domingo, 25 de dezembro de 2016
NATAL DE JESUS
NATAL DE JESUS
Três sábios seguem uma estrela nova...
Vêm d'Oriente e atravessam o deserto.
Chegam a Belém co'o designo certo
De ver o filho de Davi: --“Boa Nova!
“Nasceu Jesus, o ungido!!! Deus renova
Sua aliança... Eis a nós o céu aberto!
Jaz o menino entre as palhas desperto...
Acalme-se o mar! Um monte se mova!...”
Há dois mil anos contam essa história,
No regozijo d’uma Humanidade
Que o divino reveste então de glória.
Pois celebram os homens, em verdade,
No solstício com seu mistério antigo,
A alegria de ter Jesus consigo.
Betim - 24 12 2008
NO FIM DOS TEMPOS
NO FIM DOS TEMPOS
Andando taciturno pela rua,
Passou despercebido dos demais.
Talvez as vozes nem fossem reais
Tanto quanto a visão da última lua.
Sem embargo, para o alto continua
E, em face do que chama de sinais
Do avanço das potências infernais,
Proclama a profecia extrema sua:
— "É hora: O fim dos tempos se aproxima...
Uma a uma já se cumprem as promessas!
Volvei os vossos olhos para cima!..."
"Obscurecido por nuvens espessas,
O sol agora dança logo acima
Até o céu nos cair sobre as cabeças."
Belo Horizonte - 09 09 1999
sábado, 24 de dezembro de 2016
MNEMÔNICA
MNEMÔNICA
De aliterações, rimas e assonâncias
A mente liga pontos e faz pontes,
Que há séculos e séculos são fontes
Para poetas contarem suas ânsias.
Assim, as milimétricas distâncias
Que por entre neurônios alguém conte
Nos têm a imensidão d'um horizonte
Após nos registrar tantas errâncias...
Espaço-tempo em si, nossas memórias
Parecem nos contar outras histórias
À medida que os anos têm passado.
Sem embargo, há-de ser a oralidade
Capaz de nos dizer toda a verdade
N'um verso febrilmente declamado.
Belo Horizonte - 25 01 2002