TARDES DE PETECA
Aquela ave que voa só no tapa
E nos enchia as tardes vãs d'antanho
Colore ora a memória em perda e ganho
Mesmo quando a danada nos escapa.
Vencer tinha a doçura da garapa
Comprada com algum vintém d'estanho...
O brinquedo era humilde, não tacanho.
Na poeira d'um lugar fora do mapa.
Longe, a cidade imensa com seus prédios
Nos ignorava o jogo e a meninice
Como se a mais estúpida tolice.
Foi fugindo de banhos e remédios,
E rebatendo penas pela poeira
Que tivemos a infância verdadeira!...
Betim - 22 07 1999
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