GATAIADA
Ouvi dizer que, à noite, os gatos todos
Diante de nossos olhos ficam pardos.
Ao menos, que seriam todos tardos,
Na madrugada a miar parvos engodos.
A gente passa e vê seus tristes modos
Sobre muros, lixeiras, sacos, fardos...
Com típica estridência de bastardos
Ou senão de acrobáticos rapsodos.
Sem embargo, da noite faz seu dia
Aquela incontornável gataria,
Circulando; sem ter o que fazer.
Talvez invejem sua liberdade
Tantos que vêm e vão pela cidade
A ter na escuridão ócio e prazer.
Belo Horizonte - 20 10 2017
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