POETAR
Escrevo-me poesia a duras penas
De todo mundo e de ninguém; de mim.
Encontrar às palavras algum fim,
Que sirva ao coração nas horas plenas.
Belas mentiras n'almas tão serenas
Dizem os versos sem som e sem sim
Que baldo canto, mas ainda assim,
Encantar o outro com fictícias cenas.
Se houver algum sentido na minha ética
Onde o próprio poetar se legitima,
Não careço de sistemas nem de poética.
Mas há no postulado pouco acima
A constatação última, algo hermética:
Ter que amores mais co'as dores rima...
Belo Horizonte - 15 07 1997
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
domingo, 3 de maio de 2020
TEATRO DE RUA
TEATRO DE RUA
Se há páginas em branco pela rua,
A minha pena pode transformá-las:
No vir-a-ser de mais papeis e falas
Alçar uma verdade e pô-la nua…!
Para além do circense se situa,
Quando trupes caminham entre galas,
Fazem do quotidiano nobres salas;
E da praça, outro palco onde se atua.
A existência é uma comédia de erros,
Cujos actos irrompem já patéticos
Após fechar a cena ainda aos berros.
Máscaras têm diálogos frenéticos,
E, enquanto o poeta azula pelos serros,
Jogam na rua seus textos herméticos.
Contagem - 12 11 1999
Se há páginas em branco pela rua,
A minha pena pode transformá-las:
No vir-a-ser de mais papeis e falas
Alçar uma verdade e pô-la nua…!
Para além do circense se situa,
Quando trupes caminham entre galas,
Fazem do quotidiano nobres salas;
E da praça, outro palco onde se atua.
A existência é uma comédia de erros,
Cujos actos irrompem já patéticos
Após fechar a cena ainda aos berros.
Máscaras têm diálogos frenéticos,
E, enquanto o poeta azula pelos serros,
Jogam na rua seus textos herméticos.
Contagem - 12 11 1999
TEATRO DO MUNDO
TEATRO DO MUNDO
Sobre a arena há o espírito perene
Dos sonhos de toda a Humanidade
Como algo que atravessa cada idade
Ou realidade que Além se nos ordene.
Faz-se a luz! No proscênio Melpomene
Do espetáculo lívida se evade.
E, na celebração da liberdade,
Eu, pessoa sob máscaras, m'encene.
Seja teatro o mundo onde uma consciência
Dramática apresente novas miras,
Que se inspiram concordes à experiência.
No interlúdio da acção, ressoem liras!…
Visto as histórias serem, em essência,
Meias verdades, pois, belas mentiras.
Betim - 21 05 1998
Sobre a arena há o espírito perene
Dos sonhos de toda a Humanidade
Como algo que atravessa cada idade
Ou realidade que Além se nos ordene.
Faz-se a luz! No proscênio Melpomene
Do espetáculo lívida se evade.
E, na celebração da liberdade,
Eu, pessoa sob máscaras, m'encene.
Seja teatro o mundo onde uma consciência
Dramática apresente novas miras,
Que se inspiram concordes à experiência.
No interlúdio da acção, ressoem liras!…
Visto as histórias serem, em essência,
Meias verdades, pois, belas mentiras.
Betim - 21 05 1998
sábado, 2 de maio de 2020
RASCUNHOS
RASCUNHOS
Se em ti há algo morto ou adormecido
Como se fragmentado em toda parte.
Ou a vida bem diverso foi tornar-te,
D'aquele que querias tu ter sido.
Busca os rascunhos que hás esquecido,
Até te reencontrares em tua arte.
Psicologia alguma há-de curar-te,
Enquanto não tiveres um sentido.
Recria a cada página esse mundo
E, à polifonia em movimento,
Faz mais alto ressoar teu Eu profundo.
E tendo de ti mesmo entendimento
Verás a vida toda n'um segundo
Dando a teu manuscrito acabamento.
Belo Horizonte - 16 08 1998
sexta-feira, 1 de maio de 2020
DESTEMPERADO
DESTEMPERADO
Ninguém me julgaria o destempero
Fosse eu ainda um homem mais ameno.
Clamando aos quatro cantos no sereno,
Eu bebo muito mais do que tolero...
Se dos outros eu pouco ou nada espero,
É porque tenho marcas de pequeno.
Ácido, em minha boca igual veneno,
Eis o esplêndido fel que vitupero!
Cético das alheias alegrias,
Eu gargalho de suas fantasias
Onde há tão-só engano, não verdade.
Se há muito evito temas comedidos,
Faço versos a gritos parecidos
Imerso n'uma dúbia insanidade,
Belo Horizonte - 18 04 1998
Ninguém me julgaria o destempero
Fosse eu ainda um homem mais ameno.
Clamando aos quatro cantos no sereno,
Eu bebo muito mais do que tolero...
Se dos outros eu pouco ou nada espero,
É porque tenho marcas de pequeno.
Ácido, em minha boca igual veneno,
Eis o esplêndido fel que vitupero!
Cético das alheias alegrias,
Eu gargalho de suas fantasias
Onde há tão-só engano, não verdade.
Se há muito evito temas comedidos,
Faço versos a gritos parecidos
Imerso n'uma dúbia insanidade,
Belo Horizonte - 18 04 1998
CISMAS
CISMAS
Algo tem-de aliviar a minha dor...
A angústia inenarrável do momento,
Que queda sobre mim sem mais intento
Co’a fúria d’um arcanjo vingador...!
Embora nada tenha a meu favor,
Meus males vêm sangrar-me sem contento,
Restar-me-á tão-só clamar ao vento
Um desencanto a mais de sonhador.
Sonhos?! Sei me perder idéias e ideais...
Verdades eu me nego em vãos sofismas
De pensamentos tristes e demais.
Ansioso, passo as horas entre cismas
Incapaz de qualquer desejo mais
Minh’alma sobre a noite atra se abisma.
Betim - 12 05 1996
Algo tem-de aliviar a minha dor...
A angústia inenarrável do momento,
Que queda sobre mim sem mais intento
Co’a fúria d’um arcanjo vingador...!
Embora nada tenha a meu favor,
Meus males vêm sangrar-me sem contento,
Restar-me-á tão-só clamar ao vento
Um desencanto a mais de sonhador.
Sonhos?! Sei me perder idéias e ideais...
Verdades eu me nego em vãos sofismas
De pensamentos tristes e demais.
Ansioso, passo as horas entre cismas
Incapaz de qualquer desejo mais
Minh’alma sobre a noite atra se abisma.
Betim - 12 05 1996
SUJEITO OCULTO
SUJEITO OCULTO
Subentendido em toda e qualquer foto
Está aquele que nunca aparecia…
Ei-lo não no que o quadro evidencia,
Mas sim atrás da lente mais remoto.
Ele faz o sorriso mais garoto
Se nos brotar às faces de alegria.
E após eternamente companhia
Mesmo permanecendo quase ignoto
Aquele que regista um instantâneo
Faz-nos brilhar lampejos de saudade
N'algum gesto talvez pouco espontâneo.
Visto que retratista de verdade,
Ao revelar o olhar contemporâneo,
Entre na foto pela qualidade!…
Betim - 01 05 2020
Subentendido em toda e qualquer foto
Está aquele que nunca aparecia…
Ei-lo não no que o quadro evidencia,
Mas sim atrás da lente mais remoto.
Ele faz o sorriso mais garoto
Se nos brotar às faces de alegria.
E após eternamente companhia
Mesmo permanecendo quase ignoto
Aquele que regista um instantâneo
Faz-nos brilhar lampejos de saudade
N'algum gesto talvez pouco espontâneo.
Visto que retratista de verdade,
Ao revelar o olhar contemporâneo,
Entre na foto pela qualidade!…
Betim - 01 05 2020
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