segunda-feira, 26 de outubro de 2026

DESALENTO

DESALENTO

Quando falei de amor, me vi sozinho.
Porque teu coração nada entendia:
Éramos bons amigos — se dizia —
Desde que atravessei o teu caminho.

Mesmo assim, mil paixões em torvelinho
No brilho do olhar mal t’escondia.
Por mal dos meus pecados, todavia,
Fui tímido demais em meu carinho…

Revelado o segredo, a solidão
Parece s'espraiar qual rio manso
Pela vasta planície da ilusão.

Ainda varo noites sem descanso,
A procurar teus olhos na amplidão,
Qual lua que desejo e nunca alcanço.

Belo Horizonte - 01 11 1991


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