SORRIDENTE
Quem me vê sério assim nem desconfia
Que ando a sorrir por dentro (ou para dentro?...)
Franzo o cenho a fingir que me concentro,
Mas me abro n'um espasmo de alegria.
Tento lhes esconder que me sorria
Como se de meu mundo eu fosse o centro...
Fico feliz por mim domingo adentro,
Imerso em minha própria fantasia.
Ainda que me tenham por sisudo,
Ao me verem distante e sempre mudo
Desconhecem o meu contentamento
Deveras, pois escondo dos olhares
Tal ânimo por todos os lugares
Para sorrir em paz todo momento.
Betim - 10 04 2020
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
segunda-feira, 6 de abril de 2020
HISPANIOLA
HISPANIOLA
-- "São como abris ou maios andaluzes" --
Das manhãs tropicais americanas...
Assim o Capitão às castelhanas
Se fez poeta (ou pintor...) d'aquelas luzes.
Munidos de facões e arcabuzes,
Feriram o áureo chão, serra, cabana...
E, em nome de pepitas, por semana,
Espalham em toda ilha cem mil cruzes!
Volve à Espanha, alguns anos depois,
Olvidado e perplexo -- "Por quem sois!" --
Enquanto o Continente é conquistado.
E seu nome de audaz descobridor
Ao cosmógrafo Américo, em seu favor,
Cede onde o Paraíso aproximado.
Belo Horizonte - 25 05 1996
-- "São como abris ou maios andaluzes" --
Das manhãs tropicais americanas...
Assim o Capitão às castelhanas
Se fez poeta (ou pintor...) d'aquelas luzes.
Munidos de facões e arcabuzes,
Feriram o áureo chão, serra, cabana...
E, em nome de pepitas, por semana,
Espalham em toda ilha cem mil cruzes!
Volve à Espanha, alguns anos depois,
Olvidado e perplexo -- "Por quem sois!" --
Enquanto o Continente é conquistado.
E seu nome de audaz descobridor
Ao cosmógrafo Américo, em seu favor,
Cede onde o Paraíso aproximado.
Belo Horizonte - 25 05 1996
AO ZÊNITE
AO ZÊNITE
—” Andemos, pois, a morte já não tarda,
E ao zênite o sol sobe e desce do alto”. —
O horizonte derrete-se no asfalto,
E a estrada se lhe perde, árida e parda.
Outro arauto do fim pela vanguarda
D’um armagedon pelo sol de assalto...
Que mais diz a mensagem do arauto
Que de tão triste fim memória guarda?
-- "É hora: O fim dos tempos se aproxima...
Uma a uma já se cumprem as promessas!
Volvei os vossos olhos para cima!..."
"Obscurecido por nuvens espessas,
Eu vejo o sol dançando pouco acima
Até o céu nos cair sobre as cabeças!"
Belo Horizonte - 09 09 1999
—” Andemos, pois, a morte já não tarda,
E ao zênite o sol sobe e desce do alto”. —
O horizonte derrete-se no asfalto,
E a estrada se lhe perde, árida e parda.
Outro arauto do fim pela vanguarda
D’um armagedon pelo sol de assalto...
Que mais diz a mensagem do arauto
Que de tão triste fim memória guarda?
-- "É hora: O fim dos tempos se aproxima...
Uma a uma já se cumprem as promessas!
Volvei os vossos olhos para cima!..."
"Obscurecido por nuvens espessas,
Eu vejo o sol dançando pouco acima
Até o céu nos cair sobre as cabeças!"
Belo Horizonte - 09 09 1999
AO LUAR
AO LUAR
Essa luz limitada ou realidade --
“Argêntea...!” -- Quem nos foi que concedeu?
Não terá sido mais ávido do que eu
No afã de nos buscar sonho e verdade.
Fossem outras a face e a idade,
Teu olhar encontrando ora o meu
Brilhar-nos-ia o luar que se excedeu
Pairando pleno acima da cidade.
E, então, eu te diria: “Vamos juntos!...”
Apesar de pesares ou de assuntos
A lançar tantas sombras sobre nós.
Porém, ensimesmada em solidão,
Ocultaste tal luar do coração
Com tudo quanto fomos quando sós...
Betim - 05 03 2014
Essa luz limitada ou realidade --
“Argêntea...!” -- Quem nos foi que concedeu?
Não terá sido mais ávido do que eu
No afã de nos buscar sonho e verdade.
Fossem outras a face e a idade,
Teu olhar encontrando ora o meu
Brilhar-nos-ia o luar que se excedeu
Pairando pleno acima da cidade.
E, então, eu te diria: “Vamos juntos!...”
Apesar de pesares ou de assuntos
A lançar tantas sombras sobre nós.
Porém, ensimesmada em solidão,
Ocultaste tal luar do coração
Com tudo quanto fomos quando sós...
Betim - 05 03 2014
domingo, 5 de abril de 2020
DE NOITINHA
DE NOITINHA
Quando as cigarras cantam de noitinha
E o arrebol sangra os longes do horizonte
Que a lua, alfange em prata, além desponte,
Se d'ela a estrela d'alva se avizinha!
Deveras, n'aquela hora tão sozinha,
Haja um concerto cá do alto do monte,
No qual a passarada outra vez conte
A bela melopeia que me convinha.
Avesso ao burburinho das cidades,
Encontre eu pelas brenhas alterosas
Lindas soledades, poentes rosas...
De modo que com amplas liberdades,
Minh'alma evada além na serrania
Para eu me despedir de mais um dia.
Betim - 27 09 2013
Quando as cigarras cantam de noitinha
E o arrebol sangra os longes do horizonte
Que a lua, alfange em prata, além desponte,
Se d'ela a estrela d'alva se avizinha!
Deveras, n'aquela hora tão sozinha,
Haja um concerto cá do alto do monte,
No qual a passarada outra vez conte
A bela melopeia que me convinha.
Avesso ao burburinho das cidades,
Encontre eu pelas brenhas alterosas
Lindas soledades, poentes rosas...
De modo que com amplas liberdades,
Minh'alma evada além na serrania
Para eu me despedir de mais um dia.
Betim - 27 09 2013
ANOITECER
ANOITECER
Anoitece e s'esquece ora de mim,
O sol que s'entristece em solidão.
Parece que perece n'um grotão;
Parece que aparece ao confim.
Anoiteço e m'esqueço ora do fim...
M'entristeço e me peço algum perdão,
E um luar a iluminar-me escuridão;
E um lugar a encontrar-me paz enfim.
Meu coração é uma encruzilhada
Atravessando em vão um chão maninho
Por caminhos que nunca dão em nada.
E devo caminhar sempre sozinho.
Anoiteça e m'esqueça pela estrada,
Pois eu de nada nunca me avizinho.
Belo Horizonte - 15 02 1995
Anoitece e s'esquece ora de mim,
O sol que s'entristece em solidão.
Parece que perece n'um grotão;
Parece que aparece ao confim.
Anoiteço e m'esqueço ora do fim...
M'entristeço e me peço algum perdão,
E um luar a iluminar-me escuridão;
E um lugar a encontrar-me paz enfim.
Meu coração é uma encruzilhada
Atravessando em vão um chão maninho
Por caminhos que nunca dão em nada.
E devo caminhar sempre sozinho.
Anoiteça e m'esqueça pela estrada,
Pois eu de nada nunca me avizinho.
Belo Horizonte - 15 02 1995
CÂMARA ESCURA
CÂMARA ESCURA
Um furo rouba o sol em plena a luz do dia
Pela réstia através d'esse quarto em penumbra:
A palmeira invertida à parede se alumbra
Sobre a linha que o claro-escuro dividia.
O sol roubado ao dia em luz fina irradia
Poesia que s'espalha em uma absoluta umbra.
A imagem que se forma ao olhar tanto deslumbra,
Que o quarto se torna um vão de fantasia!...
A luz do sol por si quase nada me ilumina,
Senão a parede onde o afora se avizinha
Ao quarto em claro-escuro e fúria repentina.
A poesia seja luz de luz que seja a minha...
Câmara escura ao sol sobre minha retina
Entreaberta a ver aquela palmerinha.
Inhapim - 20 10 1995
Um furo rouba o sol em plena a luz do dia
Pela réstia através d'esse quarto em penumbra:
A palmeira invertida à parede se alumbra
Sobre a linha que o claro-escuro dividia.
O sol roubado ao dia em luz fina irradia
Poesia que s'espalha em uma absoluta umbra.
A imagem que se forma ao olhar tanto deslumbra,
Que o quarto se torna um vão de fantasia!...
A luz do sol por si quase nada me ilumina,
Senão a parede onde o afora se avizinha
Ao quarto em claro-escuro e fúria repentina.
A poesia seja luz de luz que seja a minha...
Câmara escura ao sol sobre minha retina
Entreaberta a ver aquela palmerinha.
Inhapim - 20 10 1995
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