sábado, 27 de dezembro de 2014

SINO DE VENTO


SINO DE VENTO

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SINO DE VENTO


Deve ser uma aragem fresca, branda;
A que me acaricia a testa e a mente,
Mas solta notas vãs, indiferente,
Ao atravessar à noite uma varanda. 
     
E sonho Passárgada; e passo Samarcanda...
N’uma viagem sonora tão-somente
Por dentro da memória semovente,
Que sobre areias ainda quentes anda. 

Era música tão minimalista
A ressoar no sino que o vento toca
À maneira de quase ausente artista. 

Porém, ainda assim ela provoca,
Senão contemplação para ter em vista,
O puro acaso que ao silêncio choca.

Betim - 14 12 2014