terça-feira, 30 de dezembro de 2014

POMPA E CIRCUNSTÂNCIA

POMPA E CIRCUNSTÂNCIA
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POMPA E CIRCUNSTÂNCIA

N'esta terra de vales tão profundos,
Onde reluzem penhas de basalto, 
Há paredões e abismos de cume alto --
Porque fronteira extrema de dois mundos. 

Transito sobre saibros infecundos, 

Cuja poeira levanto só e incauto. 
Mas surpreendo o rio com seu salto, 
Em plena pedra negra e seus rotundos. 

É uma imensidão que me apequena 

E me faz ter consciência de quem sou, 
A um só tempo tão forte e tão serena. 

Se contra o céu eleva-se da terra 

Ou se lhe aponta o sonho que deixou,
Só sabe Deus que luz a rocha encerra...  

Antônio Dias - 29 12 2014