terça-feira, 24 de março de 2020

ALVORECER

ALVORECER

   

Admiro o fim da noite da janela. 

Desce às serras a lua já minguante, 

Ao que avança, na névoa, destoante, 

Outra aurora a surgir, silente e bela. 

 

Um tanto melancólica a hora d’ela...

E efêmera, ante um sol ainda infante; 

Quase a irromper no céu n’aquele instante,

Em que a manhã dourada se revela.

 

Antes do sol raiar junto à cortina,

Tive uma paz que há muito não sentia,

Em meio à alvorada e à névoa fina

 

Ficava a gratidão por mais um dia.

Ao longe, o sol ardendo na retina 

E a cidade que enfim amanhecia. 

 

Betim - 10 12 1991

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