À NANQUIM
No adro, rabisco ao léu bico de pena
Até que o papel pálido revele
Algo de minhas tortas linhas n’ele
No traço gestual d’aquela cena:
Uma cidade histórica pequena
Onde um homem ao seu burrico impele.
De longe, mal distingo este d’aquele
No traço rebuscado à tarde plena…
Aí, encontrem sentido onde não há
Ou deem significado ao que não tem
Mesmo que não pareça que haverá.
Talvez uma mensagem para alguém,
Que os traduza eloquentes, tarde já,
Com verdades d’agora para além.
Mariana - 12 10 1992
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