terça-feira, 3 de março de 2020

APELO

APELO 

  

Eu, que nunca te quis senão amante,

Como posso querer-te agora amiga?

Temo que simplesmente não consiga:

Tenho-de me fazer de ti distante!

 

Não peças que te veja tão radiante

E finja não sentir a chama antiga…

O que a civilidade nos obriga

É que cada um de nós se desencante.

 

Quero sigas os mais belos caminhos

E que de vez em quando meus carinhos

Recordes com saudade e com desejo.

 

Melhor eu me afastar enquanto posso,

Que t'esconder o ardor se às mãos te roço

Ou não cumprimentar quando te vejo.

 

Betim - 03 03 1992  


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