Eu mal podia crer no que disseste
Tampouco o que, calando, m'escondias.
Ouvir-te as evasivas mais vazias,
Como fossem de facto algo inconteste.
Ao passo que em teus olhos não soubeste
Sustentar tudo quanto me dizias
Visto serem tão-só palavras frias,
Se ainda olhos brilhando me trouxeste.
Dize, por que não te ouço simplesmente?
Olha, como vagueia o pensamento,
Se quanto a fala diz o olhar desmente…
Será vã a esperança que alimento?
Será engano quanto tenho em mente?
Apenas sei, nos olhos, outro alento.
Belo Horizonte - 10 10 1991
Nenhum comentário:
Postar um comentário