A MÚSICA DE MÁRSIAS
—“Música, arte das musas! Eis, Euterpe, a flauta.
Se desafio Apolo a tocar algo belo,
Me arrisco ao perder a perder o meu pelo...
Lanço-me, temerário, n’uma aposta incauta."
"Saio da sombra e espalho sons, pauta após pauta.
Eu encanto, entretanto, tocando com zelo
A minha melodia como um suave apelo
Às musas que m’escutam cantos de argonauta"
"Volta a música, enfim, ao que fora vivida,
Certo ser a Natura imensa sinfonia,
Em cujas belas leis compõe-se toda a vida."
Ao murmuro do vento, além da serrania,
Se fez arte, afinal, para ser ouvida:
N’um pipitar d’ave, eu sopro a melodia."
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