EPÍLOGO
Musas, silenciai. Vem a noite... Está tarde.
Há pouco o sol se pôs; eis o ocaso, afinal...
E desde o início quer a história algum final,
Que, pela escuridão, o seu silêncio atarde.
Quietas ― lira e flauta ― em triste cair de tarde.
Se o moderno s’escusa em lembrar do imortal,
Os deuses morrem sim, de morte natural...
Enquanto um velho livro por fogueiras arde.
Vós, musas, repousais há muito adormecidas!
O artista ousa criar, mas já não lhe compete,
Pois, mesmo que acordais, nunca sereis ouvidas.
Há ruído demais! Hoje o óbvio se repete!...
Foram as artes todas por fim esquecidas:
A Humanidade bebe as águas vãs do Lete.
Betim - 03 09 1995
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