segunda-feira, 21 de setembro de 2026

EPÍLOGO

EPÍLOGO

 

Musas, silenciai. Vem a noite... Está tarde.  

Há pouco o sol se pôs; eis o ocaso, afinal... 

E desde o início quer a história algum final,  

Que, pela escuridão, o seu silêncio atarde.  

  

Quietas ― lira e flauta ― em triste cair de tarde.  

Se o moderno s’escusa em lembrar do imortal,  

Os deuses morrem sim, de morte natural...  

Enquanto um velho livro por fogueiras arde.  

  

Vós, musas, repousais há muito adormecidas!  

O artista ousa criar, mas já não lhe compete,

Pois, mesmo que acordais, nunca sereis ouvidas.  

  

Há ruído demais! Hoje o óbvio se repete!... 

Foram as artes todas por fim esquecidas:  

A Humanidade bebe as águas vãs do Lete.  

  

Betim - 03 09 1995

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