domingo, 20 de setembro de 2026

O CANTAR DE APOLO

O CANTAR DE APOLO 

 

— "Canto d’Amor, Erato, a sua desventura. 

Eu que lhe ria do uso dado a suas setas,

Fui ferido d'amor, tal-qual vossos poetas. 

Encantado por Dafne, ninfa bela e pura..." 

 

"Vendo-a, logo me atrai tamanha formosura. 

Eu me apresento à lira... Canto obras diletas. 

Mas, Amor quis vingança e desgraça completas: 

Pondo-a avessa a mim, foge na mata escura..." 

 

"... E não alcanço a ninfa a correr trilha afora: 

Em pânico, mudou-se em árvore de louro 

Junto ao rio Pereu, conjurado àquela hora" 

 

"De louros coroado, olho o dia vindouro:

Desde o primeiro Sol, tento tocar a Aurora, 

Sem lhe alcançar, porém, o belo coche d’ouro..." 

 

  

               *               *               * 

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