O CANTAR DE APOLO
— "Canto d’Amor, Erato, a sua desventura.
Eu que lhe ria do uso dado a suas setas,
Fui ferido d'amor, tal-qual vossos poetas.
Encantado por Dafne, ninfa bela e pura..."
"Vendo-a, logo me atrai tamanha formosura.
Eu me apresento à lira... Canto obras diletas.
Mas, Amor quis vingança e desgraça completas:
Pondo-a avessa a mim, foge na mata escura..."
"... E não alcanço a ninfa a correr trilha afora:
Em pânico, mudou-se em árvore de louro
Junto ao rio Pereu, conjurado àquela hora"
"De louros coroado, olho o dia vindouro:
Desde o primeiro Sol, tento tocar a Aurora,
Sem lhe alcançar, porém, o belo coche d’ouro..."
* * *
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