CARNE PARA CANHÃO Avante! Pela grande Vitória; Por saudosa memória; Por um lugar na história; Por uma luta inglória; Ou uma glória ilusória; Ou por deixar a escória, Ou uma honra meritória; Ou tão-só oratória… Avante! Sim, pela espada e a cruz; Por Alá ou Jesus Pelo silvo do obus; Pelo túnel de luz; Ou por mais males crus A cobrir-nos de pus; Ou por mais corpos nus À mercê de urubus… Belo Horizonte — 07 09 2021
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
Mostrando postagens com marcador ELEGIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ELEGIA. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
sábado, 3 de novembro de 2018
CANÇÃO DO COVEIRO
CANÇÃO DO COVEIRO
Cava, escava, cava a cova!
Sua, pena, sangra, lida...
Diz ao morto em despedida:
-- "Eis tua morada nova!
A última de tua vida."
Repete ele um canto antigo
(Elegíaco, em verdade...)
Pela funda cavidade:
-- "Eis tua morada, amigo,
Para toda a eternidade!"
Se incerta a vida futura
D'alma que partira enfim,
Ao corpo ele diz assim:
-- "Eis tua morada escura
Onde t'encontras um fim!
Mais arruma enquanto canta...
Mais amarra seu pé junto...
Sem olhar para o defunto:
-- "Eis tua morada santa,
Onde o silêncio é assunto!"
Fechando a tampa sem dó,
Bate os pregos do caixão
E sussurra-lhe a canção:
-- "Eis tua morada só,
A sete palmos do chão...
Desce o esquife até o fundo
Feito semente plantada
À derradeira mirada:
-- "Eis tua morada-mundo,
Tu que vais do nada ao nada!
Cobre, espalha, lança, enterra...
Fecha a cova para os vivos,
Que já se afastam altivos:
-- "Eis tua morada-terra
D'onde voltam redivivos."
Pondo o nome do sujeito,
Resta ele apenas, funéreo,
A cantar no cemitério:
-- "Eis tua morada e leito
Onde dormes duro e sério!"
Canta ainda ao falecido
Na lápide a lhe escrever
Outro epitáfio sem ler:
-- "Eis tua morada ao Olvido,
Onde tu deixas de ser..."
Canta o coveiro a canção
Que na morte faz igual
A todo humano e mortal:
-- "Eis tua morada, irmão,
Até o Juízo Final!
E ao fim da canção coveira
Quando o silêncio se faz
Encerra àquele que jaz:
-- "Eis tua morada inteira
Onde descansas em paz!"
Belo Horizonte - 02 11 2018
Cava, escava, cava a cova!
Sua, pena, sangra, lida...
Diz ao morto em despedida:
-- "Eis tua morada nova!
A última de tua vida."
Repete ele um canto antigo
(Elegíaco, em verdade...)
Pela funda cavidade:
-- "Eis tua morada, amigo,
Para toda a eternidade!"
Se incerta a vida futura
D'alma que partira enfim,
Ao corpo ele diz assim:
-- "Eis tua morada escura
Onde t'encontras um fim!
Mais arruma enquanto canta...
Mais amarra seu pé junto...
Sem olhar para o defunto:
-- "Eis tua morada santa,
Onde o silêncio é assunto!"
Fechando a tampa sem dó,
Bate os pregos do caixão
E sussurra-lhe a canção:
-- "Eis tua morada só,
A sete palmos do chão...
Desce o esquife até o fundo
Feito semente plantada
À derradeira mirada:
-- "Eis tua morada-mundo,
Tu que vais do nada ao nada!
Cobre, espalha, lança, enterra...
Fecha a cova para os vivos,
Que já se afastam altivos:
-- "Eis tua morada-terra
D'onde voltam redivivos."
Pondo o nome do sujeito,
Resta ele apenas, funéreo,
A cantar no cemitério:
-- "Eis tua morada e leito
Onde dormes duro e sério!"
Canta ainda ao falecido
Na lápide a lhe escrever
Outro epitáfio sem ler:
-- "Eis tua morada ao Olvido,
Onde tu deixas de ser..."
Canta o coveiro a canção
Que na morte faz igual
A todo humano e mortal:
-- "Eis tua morada, irmão,
Até o Juízo Final!
E ao fim da canção coveira
Quando o silêncio se faz
Encerra àquele que jaz:
-- "Eis tua morada inteira
Onde descansas em paz!"
Belo Horizonte - 02 11 2018
Assinar:
Postagens (Atom)