quinta-feira, 24 de setembro de 2026

LOCUS AMOENUS

ARCÁDIA ULTRAMARINA

I – locus amoenus
para Tomás Antônio Gonzaga, o Dirceu de Marília

Chego a ver-te a Marília, bom Dirceu,
Folgar, esperançosa, n'estes campos
Gerais de mim... D'além sertões escampos,
Pois seu amor também já fora o meu.

Chego a ver ninfas cá onde estou eu
A brincar nuas com vãos pirilampos:
Seus seios alvos como figos lampos!
Algo que ao tempo-espaço se perdeu...

Chego a ver... Todavia, nada vejo,
Ou melhor, finjo ver ao ter a vista
Local ameno ao qual luz um lampejo.

O visto é fingimento teu de artista.
Vejo não o que vejo, mas desejo...
Finjo, para sem ver, ver-te a benquista.

* * *

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