II – locus horrendus
para Manoel Maria Barbosa du Bocage, o Elmano Sadino
Queria não ser tão mórbido poeta.
Tradutor da dor... Traidor da vida...
A ver as coisas já de despedida
E d’isso extrair uma frase abjeta.
Queria não ser outro vil sem meta,
Cuja história, já há tempos esquecida,
Houve, há e haverá como se nunca havida,
Feito obra que ficou incompleta.
Queria... Mas sou. Não, não sou nada
À espera do terrífico... Ou melhor,
Local horrendo à escura encruzilhada.
A morte faz-se bela em vago horror.
Abdico a mim à luz da hora passada
Para ao morrer deixar de tanta dor…
* * *
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