quinta-feira, 24 de setembro de 2026

LOCUS HORRENDUS

 II – locus horrendus

                                                para Manoel Maria Barbosa du Bocage, o Elmano Sadino


Queria não ser tão mórbido poeta.

Tradutor da dor... Traidor da vida...

A ver as coisas já de despedida

E d’isso extrair uma frase abjeta.


Queria não ser outro vil sem meta,

Cuja história, já há tempos esquecida,

Houve, há e haverá como se nunca havida,

Feito obra que ficou incompleta.


Queria... Mas sou. Não, não sou nada

À espera do terrífico... Ou melhor,

Local horrendo à escura encruzilhada.


A morte faz-se bela em vago horror.

Abdico a mim à luz da hora passada

Para ao morrer deixar de tanta dor…



* * *

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