COR-DE-PELE
Meu lápis cor-de-pele não é rosa,
Mas sim marrom de terra avermelhada
Que dá lá nos tijucos da baixada,
Com liga tão subtil que pegajosa.
Não digo qu'ela seja a mais formosa,
Visto toda a beleza celebrada
Nas mais diversas cores da jornada
Que a Humanidade pôs em verso e prosa.
O que afirmo devera é que não menos
Essa pele morena m'embeleza,
Embora ainda a tenham por somenos...
E o lápis que a colore com destreza
Me imita sob o ardor d'estes sóis plenos
A terra que me deu a Natureza.
Betim - 23 11 2019
Espaço para exibição e armazenamento de poemas à medida que os vou escrevendo. Espero contar com o comentário de leitores atentos e gente com sensibilidade poética por acreditar que o poema acabado não precisa ser o fim de uma experiência, sim o início de um diálogo.
sábado, 30 de novembro de 2019
SONHOS DE PADARIA
SONHOS DE PADARIA
Acorda. Toma o teu café
O dia carece de ti!...
Sonhas acordado? Pois é:
Acordar é trabalho em si...
Sonha. Quem por último ri
Se alimenta da própria fé.
O dia carece de ti...
Acorda. Toma o teu café.
Sonha. Ainda que já de pé.
O alimento que te sorri
É sonho no caminho até:
O dia carece de ti...
Acorda. Toma o teu café.
Betim - 24 11 2019
Acorda. Toma o teu café
O dia carece de ti!...
Sonhas acordado? Pois é:
Acordar é trabalho em si...
Sonha. Quem por último ri
Se alimenta da própria fé.
O dia carece de ti...
Acorda. Toma o teu café.
Sonha. Ainda que já de pé.
O alimento que te sorri
É sonho no caminho até:
O dia carece de ti...
Acorda. Toma o teu café.
Betim - 24 11 2019
URBE ET ORBE
URBE ET ORBE
Vede: A minha cidade é o meu mundo.
Quer as casas e edifícios onde habito;
Quer as ruas e avenidas que transito...
Tudo aqui me parece mais fecundo!
Era, n’um mar de morros tão rotundo,
Horizonte mais belo que bonito.
De cujo hábito, o trânsito do infinito
Me fez querer tão-só o que profundo.
Sabei, cidade e mundo: -- "Existir
É se fazer memória nos lugares,
Além de projetar sobre o devir."
"Isto posto, apurai vossos vagares!
Que no meio d’essa gente a ir e vir,
Eu possa ser melhor entre milhares.".
Belo Horizonte – 26 11 2019
Vede: A minha cidade é o meu mundo.
Quer as casas e edifícios onde habito;
Quer as ruas e avenidas que transito...
Tudo aqui me parece mais fecundo!
Era, n’um mar de morros tão rotundo,
Horizonte mais belo que bonito.
De cujo hábito, o trânsito do infinito
Me fez querer tão-só o que profundo.
Sabei, cidade e mundo: -- "Existir
É se fazer memória nos lugares,
Além de projetar sobre o devir."
"Isto posto, apurai vossos vagares!
Que no meio d’essa gente a ir e vir,
Eu possa ser melhor entre milhares.".
Belo Horizonte – 26 11 2019
PROFICIÊNCIA
PROFICIÊNCIA
Hábil, não com as mãos; com as ideias!
Cujo afã de mover mundos e fundos
Transformara os anseios mais fecundos
No achado de impossíveis panaceias.
Visto andarmos humanas centopeias
À beira dos abismos que, profundos,
Periguem engolir-nos aos submundos
No curso vão de nossas epopeias.
Todo o saber do mundo é para ser.
Que fazemos de nós; que nos devimos,
Com o que conhecemos tem a ver.
No mais, por das montanhas os seus cimos,
É preciso às colinas conhecer,
Pensando o caminhar onde existimos.
Betim - 28 11 2019
Hábil, não com as mãos; com as ideias!
Cujo afã de mover mundos e fundos
Transformara os anseios mais fecundos
No achado de impossíveis panaceias.
Visto andarmos humanas centopeias
À beira dos abismos que, profundos,
Periguem engolir-nos aos submundos
No curso vão de nossas epopeias.
Todo o saber do mundo é para ser.
Que fazemos de nós; que nos devimos,
Com o que conhecemos tem a ver.
No mais, por das montanhas os seus cimos,
É preciso às colinas conhecer,
Pensando o caminhar onde existimos.
Betim - 28 11 2019
MENINO-HOMEM
MENINO-HOMEM
Nascido e criado em roça, cresci rude.
Sujeito envergonhado e caladinho;
No afã de imaginar, sempre sozinho,
Sonhando as excelências da virtude!...
Sem perceber o quanto aquilo ilude,
Dos mais belos ideais me fiz vizinho.
Buscava dar sentido ao meu caminho
Até me deparar co'a inquietude...
É... Não há idealismo que resista
As tortas circunstâncias d'esta vida,
Onde o pão com misérias se conquista.
Ainda menino, homem fui na lida.
E se essas poucas luzes tenho em vista,
São das vezes que estive sem saída.
Betim - 29 11 2019
Nascido e criado em roça, cresci rude.
Sujeito envergonhado e caladinho;
No afã de imaginar, sempre sozinho,
Sonhando as excelências da virtude!...
Sem perceber o quanto aquilo ilude,
Dos mais belos ideais me fiz vizinho.
Buscava dar sentido ao meu caminho
Até me deparar co'a inquietude...
É... Não há idealismo que resista
As tortas circunstâncias d'esta vida,
Onde o pão com misérias se conquista.
Ainda menino, homem fui na lida.
E se essas poucas luzes tenho em vista,
São das vezes que estive sem saída.
Betim - 29 11 2019
EM SEGUNDA DECADÊNCIA
EM SEGUNDA DECADÊNCIA
D'entre os famosos ditos de Pombal,
A caricatura há d'um desvalido,
-- Que sim, déspota. Mas, esclarecido!--
Perde, com seus ideais, o ardor jovial.
Banhado a ouro, elevara Portugal
A um fausto jamais antes conhecido
No teatro das nações, com descabido
Orgulho fátuo face a um mau final.
A figura que criara ele, entretanto,
Mesmo falsa e despida já de encanto,
Povoou as mentes nobres ao saber.
Por ironia, ao fim quedou por ser
Ele próprio à Nação em opulência,
Cavalheiro em segunda decadência!
Betim – 21 10 2005
D'entre os famosos ditos de Pombal,
A caricatura há d'um desvalido,
-- Que sim, déspota. Mas, esclarecido!--
Perde, com seus ideais, o ardor jovial.
Banhado a ouro, elevara Portugal
A um fausto jamais antes conhecido
No teatro das nações, com descabido
Orgulho fátuo face a um mau final.
A figura que criara ele, entretanto,
Mesmo falsa e despida já de encanto,
Povoou as mentes nobres ao saber.
Por ironia, ao fim quedou por ser
Ele próprio à Nação em opulência,
Cavalheiro em segunda decadência!
Betim – 21 10 2005
AO MIRANTE
AO MIRANTE
Encontro-me ao mirante a cismar versos:
D'ali, minha cidade inteira se descortina!
Como n'um instantâneo, a poesia à retina
Da vida me ilumina os caminhos diversos.
Mais longe, vejo os prédios d'ouro sendo imersos
E em meio ao alvorecer, a estrela matutina.
Se a condição humana à morte me destina,
Ao menos eu contemple estes clarões dispersos...
Penso, n'essa amplidão que por ora me cabe,
Que se Deus tudo sabe é porque tudo vê
E que se tudo vê é porque tudo sabe!
Certo de especular de Deus quanto se dê,
Acabe eu -- a não ser que o mundo antes acabe... --
A buscar na distância algum vago porquê.
Brumadinho - 12 02 1999
Encontro-me ao mirante a cismar versos:
D'ali, minha cidade inteira se descortina!
Como n'um instantâneo, a poesia à retina
Da vida me ilumina os caminhos diversos.
Mais longe, vejo os prédios d'ouro sendo imersos
E em meio ao alvorecer, a estrela matutina.
Se a condição humana à morte me destina,
Ao menos eu contemple estes clarões dispersos...
Penso, n'essa amplidão que por ora me cabe,
Que se Deus tudo sabe é porque tudo vê
E que se tudo vê é porque tudo sabe!
Certo de especular de Deus quanto se dê,
Acabe eu -- a não ser que o mundo antes acabe... --
A buscar na distância algum vago porquê.
Brumadinho - 12 02 1999
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