terça-feira, 25 de outubro de 2016

O PECADOR

O PECADOR

Têm meus olhos a exacta e vã medida
Da extensão da maldade que há no mundo.
Executei-e-sofri o mal, fecundo
Foi seu lavrar por toda a minha vida

Anos de mocidade à inadvertida
Experimentação do que é imundo!
Busquei sempre prazer, poço sem fundo,
Atrás d'uma beleza corrompida...

A esconder-me do bem, relativizo.
Até que se me impôs, sem prévio aviso,
A minha volta triste e maltrapilho.

Mas espero, por fim, não por meu mérito,
Sim pelo amor d'Aquele cujo inquérito,
Far-me-á, embora pródigo, seu filho.

Betim - 02 11 2008