DESASSOSSEGO
Atrás de lentes foscas, olhos vagos;
Um coração sangrando malferido...
Na névoa a envolver o acontecido,
Vou recolhendo os restos dos estragos.
Nada senão o vão de vãos oragos
A me profetizar qualquer sentido!
Vasculharia as sombras sós d'Olvido,
Não fossem os amores fundos lagos.
Por horas de total desassossego,
N'um niilismo banal me desapego,
Indiferente aos males habituais
Desnorteia, afinal, outro fracasso.
Fragmento o ser, pedaço por pedaço…
Eu sobrevivo a mim uma vez mais.
Belo Horizonte – 23 05 1996
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