DE DIA, À TARDE
Quando se adia a vida p'ra mais tarde
— E mais tarde... E mais tarde... E mais... E mais... —
Até que venha a ser tarde demais
E eu passe pela vida por covarde.
Mais este dia adie; esta hora atarde,
Em vão eu sigo andando entre os normais.
Embora os imitasse, tais-e-quais,
Demais o coração em vão em mim arde...
De dia, à tarde... Ainda que hoje não.
Que seja-esteja ardendo o coração
Da hora que, uma outra vez, adio e atardo.
Até que seja dia e esteja quente,
Eu passo pela vida de repente:
Demais meu coração em vão eu ardo...
Betim - 08 06 1996
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